3 anos de pena a comerciante que atropelou médica em Fortaleza
FORTALEZA/CE – A Vara de Trânsito da capital condenou, na última segunda-feira (30), a comerciante Priscila Fernandes Amâncio a 3 anos e 4 meses de detenção em regime aberto pelo atropelamento que tirou a vida da cardiologista Lúcia de Sousa Belém, 60, enquanto ela atravessava uma faixa de pedestres no Bairro Meireles, em 21 de janeiro de 2021.
- Em resumo: motorista perdeu o direito de dirigir por 1 ano, 1 mês e 10 dias e poderá recorrer em liberdade.
Por que a sentença chocou a comunidade médica
Lúcia Belém dedicou 28 anos ao Hospital de Messejana, onde colegas a descreviam como “incansável e generosa”. O tribunal, ao negar pedido de perdão judicial, ressaltou que a ré mudou de endereço diversas vezes sem avisar à Justiça, atrasando o processo.
Laudo pericial apresentado no júri apontou inexistência de marcas de frenagem e confirmou que o carro arrastou a vítima. Segundo o Atlas da Violência do Ipea, colisões fatais envolvendo pedestres representam cerca de 20 % das mortes no trânsito brasileiro, dado que reacende o debate sobre punições brandas nesse tipo de crime.
“A acusada agiu com imprudência ao fazer a curva sem o devido cuidado, causando resultado previsível”, diz trecho da sentença.
Entenda os próximos passos legais e o impacto no trânsito
A pena em regime aberto significa que Priscila Amâncio cumprirá obrigações como recolhimento noturno e trabalho comunitário, mas não ficará presa. Especialistas apontam que esse formato visa ressocializar, porém familiares da vítima temem sentimento de impunidade.

Do ponto de vista administrativo, a suspensão da CNH segue o previsto no Código de Trânsito Brasileiro para homicídio culposo. Em 2023, o Ceará registrou 208 mortes de pedestres, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), reforçando a urgência por campanhas de atenção ao volante em áreas urbanas densas como o Meireles.
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Crédito da imagem: Divulgação / Paulo Sadat – SVM
