41% não devolvem empréstimo a parentes: endividamento recorde

Datafolha – Publicada em 18 de abril de 2026, a mais recente sondagem nacional expõe um efeito dominó no bolso do brasileiro: quase 70% da população tem dívidas e, entre quem recorreu a parentes ou amigos, 41% ainda não devolveu o dinheiro emprestado.

  • Em resumo: Débitos se espalham dos bancos às relações pessoais, ampliando a pressão financeira em 45% dos lares.

Rotativo e carnês: como o juro alto mantém a corda no pescoço

O levantamento mostra que 29% dos endividados estão inadimplentes no parcelamento do cartão e 27% já acionaram o temido crédito rotativo, famoso pelas taxas acima de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Além disso, 26% não quitaram empréstimos bancários, enquanto 25% acumulam parcelas em carnês de loja, cenário que reforça o risco de superendividamento previsto na Lei nº 14.181/2021.

"Ao pagar apenas o mínimo da fatura, o cliente ativa automaticamente o rotativo e multiplica a dívida em poucos meses", alerta a pesquisa.

Contas de serviço atrasadas e impacto no consumo de alimentos

As despesas essenciais também viraram alvo de atraso: 28% dos entrevistados estão devendo energia, água, tributos ou telefonia. Na prática, metade reduziu gastos com luz, gás e alimentação, jogando para o limite a já apertada renda média de R$ 2.924, apontada pelo IBGE.

O reflexo é visível nos indicadores de inadimplência: em fevereiro, o Brasil superou 71 milhões de negativados, recorde histórico divulgado pela Serasa. Esse contingente representa mais de um terço da população adulta.

Pressão emocional e redes de apoio ameaçadas

Com 37% citando o dinheiro como maior problema pessoal, o quadro vai além do bolso. Especialistas em saúde mental apontam que dívidas são gatilho para ansiedade e depressão, reforçando a importância de educação financeira nas escolas — tema já previsto na BNCC do MEC desde 2020.

A inadimplência entre familiares rompe o último elo de crédito informal, fragilizando redes de apoio justamente quando o mercado de trabalho exibe taxa de subutilização de 17,6%.

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Marta Silva

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