Rio de Janeiro/RJ – Anitta quebrou o próprio roteiro comercial ao lançar, em 16 de abril, o álbum “Equilibrivm”. A obra, que ultrapassou 8,2 milhões de reproduções nas primeiras 24 horas, articula referências do Candomblé a mantras budistas e rituais indígenas, reacendendo o debate sobre religião e indústria cultural no Brasil.
- Em resumo: Disco reposiciona a artista ao transformar orixás em narrativa pop e já registra o melhor desempenho nacional no Spotify em 2026.
Sincretismo em alta: por que isso chama atenção
Nas 15 faixas, Exu, Pombagira, Oxum e Nanã dividem espaço com batidas de funk e reggaeton. Especialistas ouvidos pelo g1 lembram que a convivência entre fé e festa está na gênese da música brasileira; o Atlas da Violência aponta que mais de 60 % dos episódios de intolerância religiosa em 2025 miraram cultos afro-brasileiros. Ao escolher esse repertório, Anitta transforma o palco em trincheira cultural e dá escala global a práticas muitas vezes estigmatizadas, analisa a revista Variety.
A estética reforça o discurso: no clipe “Desgraça”, a cantora dança em uma encruzilhada rodeada por máscaras de Mestre Zimar e veste branco — cor dos iniciados no Candomblé. Já no Saturday Night Live, exibido em 11 de abril, usou o contra-egum de palha-da-costa, acessório de proteção contra energias negativas.
"Fé e festa sempre caminharam juntas no Brasil", disse Anitta ao anunciar o projeto.
Números e contexto: mercado e identidade
Segundo o Censo 2010 do IBGE, 0,3 % dos brasileiros se declaram adeptos de religiões afro — pouco mais de 600 mil pessoas. No entanto, o instituto contabilizou cerca de 23 mil terreiros registrados, um indicador da capilaridade cultural dessas práticas. Ao trazer pontos de macumba para o streaming, Anitta amplia a visibilidade de tradições que, historicamente, foram marginalizadas.
No mercado, a estratégia também se prova certeira: a faixa “Mandinga” estreou direto no Top 30 global e o álbum figura entre os dez mais ouvidos em oito países latino-americanos. Para Thiago Soares, professor da UFPE, a guinada espiritual lembra o “Tim Maia Racional” ou o “Ray of Light” de Madonna, mostrando que fases místicas costumam revitalizar carreiras pop.
O que você acha? A mistura de orixás, funk e marketing ajuda ou atrapalha o combate à intolerância religiosa? Para mais análises de cultura pop, acesse nossa editoria especializada.
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