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segunda-feira, março 16, 2026

Consignado CLT soma R$ 52 bi sem garantia do FGTS

Consignado CLT soma R$ 52 bi sem garantia do FGTS

Consignado CLT soma R$ 52 bi sem garantia do FGTS – Lançada em março de 2025 para impulsionar o crédito ao trabalhador formal, a modalidade avançou bem menos que o previsto e encerrou a primeira semana de janeiro com R$ 52 bilhões contratados, de acordo com o Ministério do Trabalho.

A projeção inicial era movimentar R$ 100 bilhões em apenas três meses. A principal razão apontada para a diferença é a ausência da regulamentação que permitiria usar parte do saldo do FGTS como garantia adicional.

Demanda abaixo da meta do governo

Sem a chancela oficial para acessar até 10% do fundo e os 40% da multa rescisória, bancos mantêm critérios mais conservadores, freando o volume liberado. O desconto permanece limitado a até 35% do salário líquido, mas, ao romper o vínculo empregatício, o débito automático é suspenso, reduzindo a atratividade para o sistema financeiro.

Nesse cenário, a taxa média do consignado privado atingiu 3,83% ao mês em novembro, segundo dados do Banco Central, patamar quase o dobro do praticado para servidores e aposentados.

Por que a garantia do FGTS é decisiva

Com a futura regulamentação — agora prometida para até junho de 2026 — todo trabalhador poderia oferecer parte do fundo como colateral, reduzindo risco de inadimplência e, em tese, derrubando os juros cobrados.

Hoje, caso ocorra demissão, o empregador pode abater até 35% das verbas rescisórias, mas a dívida remanescente continua vinculada ao CPF e exige negociação direta. Se o profissional voltar ao mercado formal, o contrato é reativado automaticamente, desde que exista margem consignável.

Entidades empresariais, como a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), relatam episódios de empregados que até adiam a volta ao emprego formal para evitar novos descontos em folha. O governo, entretanto, avalia o risco como baixo, lembrando que o histórico de crédito fica prejudicado e a tomada de novos empréstimos é bloqueada.

Enquanto aguarda-se a definição do FGTS, o Ministério do Trabalho afirma monitorar os bancos e não descarta impor um teto às taxas ou retirar instituições da plataforma caso identifique abusos, medida prevista em decreto presidencial de março do ano passado.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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