Acordo Mercosul-União Europeia anima agronegócio brasileiro
Acordo Mercosul-União Europeia – A aprovação formal do bloco europeu ao tratado comercial com o Mercosul, confirmada na última sexta-feira (9 de janeiro), foi recebida com entusiasmo por entidades do agronegócio nacional.
O texto deverá ser assinado em 17 de janeiro e promete instituir a maior zona de livre-comércio do planeta, eliminando ou reduzindo tarifas sobre produtos agropecuários que já fazem da União Europeia o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.
Mais previsibilidade para carnes e ovos
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) classificou a decisão como “avanço relevante” por garantir previsibilidade aos embarques de frango, suínos e ovos. Segundo a entidade, o acordo reforça a imagem do Brasil como fornecedor confiável, apoiado em sanidade e sustentabilidade — exigências cada vez mais presentes nos mercados europeus.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que as proteínas animais representaram 38% das vendas externas do agro para a UE em 2024. Com o novo tratado, a tendência é de crescimento gradual graças à redução de barreiras tarifárias e fitossanitárias, informa o órgão em nota oficial divulgada pelo MAPA.
Cereais, café e cotas para a carne bovina
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) aposta em ganhos de competitividade para soja, milho e farelo, mesmo já entrando hoje na Europa com tarifas mínimas. A previsibilidade cambial e a remoção de custos logísticos podem ampliar margens e volumes embarcados, avalia a entidade.
Para o café, o Conselho dos Exportadores (Cecafé) projeta avanço de até 35% nas remessas de café solúvel nos próximos anos. O motivo é a previsão de tarifa zero em quatro anos, condição que hoje já beneficia concorrentes como o Vietnã.
No caso da carne bovina, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai terão direito a exportar 99 mil toneladas anuais com tarifa inicial de 7,5%. Embora a cota seja considerada modesta, especialistas veem nela um importante passo para consolidar o Mercosul como parceiro preferencial da UE.

Salvaguardas em debate
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que ainda haverá espaço para negociar salvaguardas — mecanismos que permitem à Europa suspender temporariamente benefícios caso um setor local se sinta prejudicado. Entidades brasileiras esperam que o instrumento seja usado com equilíbrio, evitando distorções num acordo que se pretende de livre-comércio.
Estudo do IBGE sobre a balança agropecuária indica que cada 1% de aumento nas exportações para a UE pode adicionar R$ 1,3 bilhão ao PIB rural brasileiro, impulsionando emprego e renda sobretudo em estados do Centro-Oeste e Sudeste.
Com a assinatura iminente, o foco agora recai sobre a ratificação nos Parlamentos nacionais dos 31 países envolvidos, etapa que deve se estender ao longo de 2026.
O impacto nas cadeias produtivas será acompanhado de perto pelos analistas. Para ler mais conteúdos sobre mercado e políticas econômicas, visite nossa editoria de Finanças.
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