- Ceará libera 2,8 mil vagas e salários de R$8,1 mil; prazo é curto
- Família acha óleo em busca de água e pode lucrar até 1%
- Motorista arrasta moto e explosão após colisão assusta Fortaleza
- Motociclista de 23 anos atropela atleta em prova e é preso
- Laptop achado e rota refeita: nova pista sobre sumiço de Vitória
Agricultores franceses protestam contra acordo Mercosul
Agricultores franceses protestam contra acordo Mercosul – Na última terça-feira (13 de janeiro), centenas de produtores rurais levaram tratores ao centro de Paris para pressionar o governo Emmanuel Macron a barrar o tratado de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul.
O ato, o segundo em menos de uma semana, bloqueou avenidas próximas ao Parlamento e reforçou a insatisfação com importações sul-americanas que, segundo os organizadores, chegam ao bloco com custos inferiores aos praticados na França.
O que motiva a mobilização
A Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA) afirma que o pacto permitirá a entrada de carne bovina, soja e açúcar com padrões ambientais mais flexíveis que os exigidos localmente. A entidade sustenta que o país, maior produtor agrícola da UE, pode perder parte dos € 76 bilhões que o setor movimentou em 2025, de acordo com o Ministério da Agricultura francês.
Para os manifestantes, a concorrência desleal também ameaça 390 mil fazendas familiares em atividade no país. “Produzimos seguindo regras rígidas de bem-estar animal; não podemos competir com quem não segue os mesmos parâmetros”, disse Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA.
Próximos passos e pressão política
Além do protesto em Paris, a categoria planeja nova caravana de tratores rumo a Estrasburgo em 20 de janeiro, quando o Parlamento Europeu retomará os debates sobre o acordo. Partidos de oposição anunciaram moções de censura para forçar o Executivo a adotar veto definitivo.
Enquanto isso, a Comissão Europeia argumenta que o tratado pode ampliar em € 4 bilhões ao ano as exportações agrícolas do bloco, informação citada em relatório do Ministério da Agricultura.

Impacto para o Brasil
Pelo lado brasileiro, o agronegócio projeta ganhos em carnes, frutas e etanol. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que as vendas externas ao mercado europeu possam crescer 20 % em cinco anos, caso o pacto seja ratificado.
Ainda assim, analistas lembram que tarifas preferenciais podem vir acompanhadas de exigências ambientais. Apenas em 2025, mais de 2.000 lotes de alimentos foram barrados nos portos europeus por não atenderem a normas de rastreabilidade.
Produtores franceses prometem manter a mobilização até que “o governo garanta proteção efetiva ao campo”. Para acompanhar outras repercussões internacionais, acesse nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Reuters/Benoit Tessier
