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segunda-feira, março 16, 2026

Banco Master: PF mira Vorcaro e bloqueia R$5,7 bi

Banco Master: PF mira Vorcaro e bloqueia R$5,7 bi

Banco Master: PF mira Vorcaro e bloqueia R$5,7 bi – Na última quarta-feira (14), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero e realizou buscas em 42 endereços ligados ao fundador Daniel Vorcaro, familiares e empresários associados.

Por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram bloqueados bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A defesa de Vorcaro afirma que ele “colabora integralmente com as autoridades”.

O que motivou a nova investida

Segundo a PF, a investigação apura suspeita de fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito consignado do banco ao Banco de Brasília (BRB). O negócio teria sido usado para melhorar artificialmente os balanços do Master antes de uma venda que acabou vetada pelo Banco Central.

Com R$ 63 bilhões em ativos, o Master ocupava apenas a 22ª posição entre os bancos brasileiros, mas a liquidação extrajudicial, decretada em novembro, gerou o maior rombo já enfrentado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC): R$ 41 bilhões em depósitos de 1,6 milhão de investidores aguardam ressarcimento.

Conexões políticas e jurídicas sob lupa

Documentos apreendidos revelam ligações de Vorcaro com figuras de diferentes espectros, como o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o ex-presidente Michel Temer, contratado em 2025 para mediar a venda ao BRB.

No campo jurídico, chamou atenção um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF). A PF também mapeou viagens compartilhadas entre um advogado do Master e o ministro Toffoli, que hoje centraliza o inquérito em sigilo na Corte.

Risco sistêmico e impacto ao investidor

Especialistas alertam que, mesmo pequeno, o Master representa “contaminação institucional”, nas palavras do economista Cleveland Prates Teixeira (Fipe-USP/FGV-Law). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como “a maior fraude bancária do país”.

Para o investidor pessoa física, o limite de cobertura do FGC continua em R$ 250 mil por CPF, montante distante dos altos valores captados pelo banco via CDBs com juros agressivos. A eventual necessidade de socorro poderá consumir até um terço do caixa do fundo, segundo cálculos do próprio mercado.

Nelson Tanure, João Carlos Mansur e Fabiano Campos Zettel — este, maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 — também foram alvos dos mandados e ainda não se pronunciaram publicamente.

No momento, a investigação segue sem prazo para conclusão, e novas quebras de sigilo bancário devem ampliar o rastreamento de recursos.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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