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UE prepara ‘bazuca comercial’ contra tarifaço de Trump
Bruxelas – Em reação ao anúncio de Donald Trump de sobretaxar produtos de oito países europeus que rejeitam vender a Groenlândia, a União Europeia avalia acionar o Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), apelidado de “bazuca comercial”. A iniciativa, puxada pelo presidente francês Emmanuel Macron, autoriza retaliações que vão de tarifas extras a veto de investimentos norte-americanos no bloco.
- Em resumo: Macron quer usar o ACI para responder às tarifas de até 25% prometidas por Trump a partir de 1º de junho.
Por que a medida assusta Washington
Aprovado em 2023, o ACI foi criado para proteger o mercado europeu de pressões externas. O mecanismo permite suspender licenças de importação, dificultar acesso de empresas estrangeiras a contratos públicos e até exigir compensação financeira. Segundo o Banco Central do Brasil, o fluxo comercial transatlântico supera US$ 1,8 trilhão por ano – qualquer sanção nesse volume reverbera globalmente.
Além de tarifas, Bruxelas poderia bloquear aquisições de companhias europeias por grupos dos EUA, estratégia dolorosa para multinacionais que contam com o mercado de 450 milhões de consumidores do bloco.
“A Europa não será chantageada.” — Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca
Origem da crise: Groenlândia no centro do tabuleiro
Trump condicionou a retirada das tarifas à venda da ilha ártica, território autônomo dinamarquês estratégico por suas jazidas de terras raras e pela proximidade com rotas polares. A resposta europeia incluiu o envio simbólico de tropas à ilha, gesto que o ex-presidente classificou como “provocação”.
O uso da “bazuca comercial” não seria inédito: a UE ensaiou acioná-la em 2021, quando a China retaliou a Lituânia por estreitar laços com Taiwan. Na ocasião, prevaleceu a diplomacia, mas o episódio serviu para calibrar o arsenal jurídico do bloco.

Riscos e próximos passos
Diplomatas lembram que, em 2023, Bruxelas e Washington fecharam acordo para reduzir tarifas sobre aço e alumínio – acerto que agora pode ser congelado. Há receio de uma guerra comercial em pleno ano eleitoral nos EUA, cenário que afetaria cadeias globais de fornecedores europeus e americanos.
Os embaixadores dos 27 Estados-membros se reúnem nesta semana para definir se a UE parte para a retaliação ou insiste em negociação. Caso o ACI seja ativado, as contramedidas entram em vigor em até 30 dias, mas podem ser suspensas a qualquer momento se Trump recuar.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP via BBC
