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Recorde de imposto e R$ 540 bi em isenções: quem paga a conta?
BRASÍLIA – Em 25 de janeiro de 2026, economistas voltaram a ligar o alerta: a carga tributária do país alcançou 32,2% do PIB, o maior nível da série histórica, enquanto subsídios fiscais consumiram R$ 540 bilhões no último ano — valor superior ao orçamento anual do Bolsa Família.
- Em resumo: brasileiro paga imposto como país rico, mas recebe serviços de país em desenvolvimento.
Por que o bolso sente tanto?
Embora o índice seja próximo à média da OCDE, o retorno em saúde, educação e segurança é aquém do esperado. Dados da Receita Federal indicam que 43,5% da arrecadação vêm de tributos sobre consumo, mecanismo que pesa proporcionalmente mais sobre as famílias de baixa renda.
Em contraste, impostos sobre renda e patrimônio representam apenas 9,1% do PIB, contra 12,1% nos países ricos. Resultado: quem ganha menos compromete até 42,5% do rendimento com tributos embutidos em conta de luz, arroz, passagem de ônibus e serviços digitais.
“Aqui se paga muito e se vê pouco, por isso o tributo vira norma de rejeição social”, resume Bianca Xavier, diretora da Sociedade Brasileira de Direito Tributário (SBDT).
Caminhos para aliviar a carga
Especialistas defendem reavaliar subsídios que somam R$ 540 bilhões. Segundo Roberto Piscitelli, da UnB, “o beneficiário deveria provar que devolve à sociedade algo proporcional à renúncia recebida”. Apenas um corte de 10% nesses incentivos liberaria R$ 54 bilhões — o suficiente para financiar, por exemplo, a construção de 700 hospitais de porte médio.
Outra aposta é o cashback tributário previsto na reforma que começa em 2027. O mecanismo devolverá parte do IBS (novo imposto sobre consumo) diretamente ao CPF das famílias inscritas em programas sociais, reduzindo o peso no curto prazo e melhorando a percepção de retorno.

Na esfera da renda, a faixa de isenção do Imposto de Renda avançou para R$ 5 mil mensais, liberando mais de 10 milhões de contribuintes. Para equilibrar o caixa, dividendos acima de R$ 50 mil mensais passaram a ser tributados em até 10%, afetando 141 mil pessoas de alta renda.
Países como Canadá e Alemanha mostram que a combinação de gasto público eficiente, tributação mais progressiva e transparência fortalece o pacto social. No Brasil, plataformas como o “Impostômetro” já exibem em tempo real quanto se arrecada, mas ainda falta demonstrar ao cidadão, linha a linha, para onde vai cada real desembolsado.
O que você acha? Cortar incentivos ou ampliar cashback é a saída mais justa? Para mais análises de economia, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação
