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quarta-feira, abril 1, 2026

4 indicações e 50 prêmios: o voo de Kleber Mendonça ao Oscar

4 indicações e 50 prêmios: o voo de Kleber Mendonça ao Oscar

RECIFE/PE – A poucos dias da 98ª cerimônia do Oscar, o pernambucano Kleber Mendonça Filho já soma marcas históricas: seu thriller político “O Agente Secreto” chega a Los Angeles com quatro indicações, dois Globos de Ouro na bagagem e mais de 50 troféus conquistados em festivais internacionais, enquanto atraiu 1,5 milhão de espectadores aos cinemas brasileiros.

  • Em resumo: longa concorre a Melhor Filme, Elenco, Internacional e Ator, cravando a maior presença brasileira desde “Cidade de Deus”.

Bastidores da façanha – audácia brasileira no tapete vermelho

Escrito em plena pandemia, o roteiro foi pensado desde o primeiro parágrafo para Wagner Moura – agora candidato ao Oscar de Melhor Ator. Segundo o cineasta, o personagem só ganhou vida porque “o ator entende o Brasil que quero mostrar”. Para reunir mais de 60 personagens, Mendonça comandou testes virtuais e presenciais até fechar um elenco multinacional, estratégia que ampliou o alcance do filme e chamou a atenção de veículos como o IBGE, que aponta alta de 6,4 % no setor audiovisual mesmo em anos de recessão.

Em janeiro, a produção garantiu Globos de Ouro de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator. O feito ecoou na imprensa estrangeira, que classificou o longa como “um retrato feroz da política latino-americana”.

“Existe um país dentro de Recife: é dali que tiro minha ética, estética e política”, afirma Kleber Mendonça Filho durante o podcast O Assunto #1646.

Por que “O Agente Secreto” virou fenômeno global

A trajetória do diretor ajuda a explicar. Filho da historiadora Joselice Jucá, Mendonça cresceu entre relatos sobre o Brasil colonial e debates sobre democracia, elementos que permeiam sua filmografia. Desde “O Som ao Redor” (2013), a crítica internacional identifica nas obras do pernambucano uma assinatura que mistura suspense, denúncia social e humor ácido – combinação que volta a aparecer em “O Agente Secreto”.

Além da narrativa, o timing também pesa: a 98ª edição do Oscar marca 20 anos da primeira grande arrancada brasileira no prêmio. Se vencer ao menos uma categoria, o longa quebrará o jejum de estatuetas que dura desde 2002. Para a indústria nacional, uma vitória significaria mais visibilidade e acesso a fundos internacionais, em linha com o avanço de coproduções na América Latina.

O que você acha? Será que “O Agente Secreto” trará de volta a estatueta para o Brasil? Para mais histórias sobre cultura pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Victor Jucá

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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