Grazi prevê fúria conservadora com nova Dona Beja na HBO
São Paulo – Prestes a encarnar a lendária cortesã na minissérie Dona Beja, da HBO Max, Grazi Massafera, 43, admitiu que parte do público “vai me odiar”. O motivo, disse ela, é o choque que a releitura deve causar em grupos mais conservadores ao tratar de sexualidade e autonomia feminina.
- Em resumo: Grazi alerta que sua Dona Beja “não pedirá licença” e deve ser rotulada como “lacração”.
Por que a personagem incomoda tanto?
Inspirada em Ana Jacinta de São José (1800-1873), a trama mostra uma mulher que desafiou as regras morais do Império ao abrir seu próprio bordel em Araxá (MG). Segundo pesquisa do IBGE sobre hábitos culturais, apenas 18 % das produções de época brasileiras são centradas em protagonistas femininas com poder financeiro, o que reforça a singularidade do papel.
Na visão da atriz, a atualização escrita por Glória Perez acentuará temas como consentimento e violência de gênero, pontos ausentes na clássica versão de 1986 estrelada por Maitê Proença.
“Vão dizer que é lacração, mas eu não posso esconder quem foi Beja. Ela afrontou o patriarcado de frente”, declarou Grazi.
Impacto além da tela: do streaming ao debate social
A HBO Max programa a produção para 2024, ano em que as plataformas devem investir R$ 6,2 bilhões em conteúdo nacional, segundo projeção da Ancine. A aposta em narrativas históricas com viés feminista atende à demanda por figuras que questionem estruturas de poder – tendência vista em sucessos como Bridgerton e The Crown.

Especialistas em gênero apontam que revisitar Dona Beja pode estimular discussões sobre direitos reprodutivos e violência sexual, temas que ainda mobilizam o Congresso. Grazi, que também filma a comédia “Uma Família Feliz” com Miguel Falabella, afirma que está pronta para as críticas: “Se incomodar significa dialogar, já valeu”.
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