R$ 50 bi na conta: falha regulatória expõe Banco Master
Brasília/DF – A liquidação do Banco Master, determinada em novembro pelo Banco Central, revelou fraudes contábeis que podem custar até R$ 50 bilhões aos demais bancos e, indiretamente, ao bolso de quem toma crédito no país.
- Em resumo: rombo será coberto pelo FGC, que já acionou grandes bancos para repor recursos.
Como o risco se espalhou tão rápido
Apesar de deter apenas 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional, o Master vendia CDBs com retorno acima da média, lastreados na garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A Polícia Federal suspeita que a instituição inflou artificialmente o patrimônio para simular liquidez e atrair 1,6 milhão de investidores.
Na avaliação de especialistas, o enquadramento do banco no segmento S3 – que exige menos capital e menos relatórios à autoridade monetária – abriu brecha para operações de alto risco longe do radar.
“O mercado financeiro muitas vezes ultrapassa os limites do bom senso”, alertou o economista Pedro Paulo Silveira, da A3S Investimentos.
Falta de fiscais agrava o problema
A Comissão de Valores Mobiliários dispõe de apenas 500 servidores para vigiar R$ 16,7 trilhões em ativos, contra 5 mil funcionários da SEC norte-americana. Em agosto de 2025, a autarquia pediu ao governo mais 544 inspetores, número ainda não atendido.
Sem braços suficientes, a CVM acabou delegando confiança a auditorias privadas que, segundo a PF, validaram balanços com “ativos inexistentes”. O Senado discute responsabilizar criminalmente essas firmas e reforçar a governança dos 2.100 Regimes Próprios de Previdência Social, que investiram R$ 1,86 bilhão em papéis distribuídos pelo Master.

No curto prazo, outros bancos adiantarão R$ 50 bilhões ao FGC; no longo, o custo deve voltar na forma de juros mais altos, alerta Silveira. “Quem pagará é o tomador de crédito nos próximos anos.”
O que você acha? O modelo do FGC precisa mudar ou faltam fiscais para evitar novos escândalos? Para mais análises sobre o mercado financeiro, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Reprodução / TV Globo
