Ouro bate US$ 5.500 e expõe ‘economia doente’, diz Vale
São Paulo (SP) – O valor do ouro rompeu a barreira de US$ 5.500 na semana passada, um pico histórico que, para o economista Sérgio Vale, do Instituto de Estudos Avançados da USP e da MB Associados, revela “uma economia seriamente doente” sem remédio imediato.
- Em resumo: salto no metal indica fuga de investidores diante de déficits fiscais dos EUA e tensão geopolítica.
Por que a corrida ao metal disparou
Vale associa a alta à “febre” que o organismo econômico desenvolve quando está sob forte infecção. Na visão do pesquisador, o agente infeccioso é a desorganização institucional nos Estados Unidos e o déficit público que ultrapassa 7% do PIB, segundo dados do Banco Central.
Empresas, fundos e até bancos centrais ampliaram posições em ouro para escapar da volatilidade cambial. Relatório do World Gold Council mostra que as compras oficiais somaram 1.136 toneladas em 2025 — maior volume em cinco décadas.
“O ouro é como se fosse uma febre. E eu tenho a impressão de que, agora, não há antibiótico de última geração para solucionar essa crise”, alertou Sérgio Vale na última quarta-feira (28).
Volcker, Trump e o efeito dominó
Na comparação histórica feita por Vale, o choque de juros conduzido por Paul Volcker nos anos 80 “curou” a febre anterior. Hoje, porém, o cenário inclui ataques de Donald Trump à autonomia do Federal Reserve e uma pauta fiscal considerada “sem ajuste político possível” no Congresso.

Além disso, ameaças comerciais contra a China e países da OTAN tornam o ambiente imprevisível. A nomeação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell, mesmo vista como moderada, reforça a percepção de interferência. Em resposta, o ouro subiu 18% em janeiro, enquanto o dólar oscilou e as bolsas recuaram 4%, segundo levantamento da Bloomberg.
O que você acha? A busca por ouro é proteção ou sintoma de colapso? Para acompanhar mais análises de mercado, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
