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domingo, março 15, 2026

Ouro rompe US$ 5 mil e bate R$ 26,4 mil: refúgio ou risco?

Ouro rompe US$ 5 mil e bate R$ 26,4 mil: refúgio ou risco?

Londres – No primeiro dia de fevereiro de 2026, o ouro ultrapassou a marca de US$ 5 mil (R$ 26,4 mil) por onça troy, coroando uma alta de 60% em 12 meses e acendendo o debate sobre a segurança — ou o perigo — de alocar patrimônio no metal.

  • Em resumo: Tensão geopolítica e expectativa de cortes de juros nos EUA empurram o ouro a um valor inédito.

Por que a cotação disparou agora?

A combinação de conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, ameaça de tarifa de 100% de Donald Trump ao Canadá e possível afrouxamento monetário do Federal Reserve formou a tempestade perfeita. Taxas menores reduzem o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano; investidores, então, migram para ativos considerados “porto seguro”, explicam estrategistas ouvidos pela BBC. Dados do Banco Central mostram que movimentos semelhantes ocorreram em 2008 e 2020, sempre durante choques globais.

Segundo Ahmad Assiri, da corretora Pepperstone, “o custo de oportunidade de manter dinheiro em renda fixa caiu drasticamente, empurrando volumes recordes para o ouro”.

“A corrida para o porto seguro dourado continua, com o preço do metal precioso subindo cada vez mais”, resume Susannah Streeter, estrategista-chefe do Wealth Club.

Contexto histórico e riscos ocultos

Embora simbólico desde Tutancâmon, o ouro é escasso: apenas 216.265 t foram extraídas ao longo da história, volume que encheria quatro piscinas olímpicas. Ainda assim, o Conselho Mundial do Ouro prevê oferta estável nos próximos anos, o que sustenta a tese de valorização.

Nem tudo, porém, é blindagem. Em 2020, no auge da Covid-19, a cotação subiu forte em janeiro e desabou em março. Philip Fliers, historiador da Universidade de Belfast, lembra que “assim que o medo cede, o metal devolve parte dos ganhos”.

No Brasil, os fundos referenciados em ouro já somam cerca de R$ 17 bilhões, de acordo com a Anbima, e as reservas oficiais chegam a 130 t, informação pública do Banco Central. Especialistas recomendam limitar a exposição a 5% do portfólio para evitar que a volatilidade sabote objetivos de longo prazo.

O que você acha? Com a cotação nas alturas, investir agora é prudência ou especulação? Para mais análises de mercado, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters via BBC

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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