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Bad Bunny puxa coro “ICE OUT” e choca Grammy ao gritar “não somos animais”
LOS ANGELES (EUA) – A 66ª edição do Grammy, realizada neste domingo (1º), virou arena de protestos contra o ICE, agência federal de imigração dos Estados Unidos, eclipsando as premiações e expondo a tensão em torno da política migratória do governo Donald Trump.
- Em resumo: Artistas como Bad Bunny, Billie Eilish e Gloria Estefan usaram o palco para exigir o fim das operações do ICE e denunciar mortes de civis em batidas federais.
Noite em que o protesto superou o prêmio
Logo na abertura da cerimônia, o público notou o broche ICE OUT no blazer de várias celebridades, indicando que o tom seria político. O ponto alto veio quando Bad Bunny recebeu o Grammy de Melhor Álbum do Ano e, diante de 18 mil pessoas, bradou que imigrantes “não são selvagens” e “merecem amor, não ódio”. O discurso arrancou aplausos e fez o assunto disparar nas redes sociais.
Minutos depois, Billie Eilish, laureada pela canção “Wildflower”, reforçou o coro ao declarar que “ninguém é ilegal em terras roubadas”, frase que ecoa em protestos desde 2020. A enxurrada de menções ao ICE fez a transmissão da TV ganhar picos de audiência, segundo dados preliminares da Nielsen.
“Não somos selvagens, não somos animais, somos humanos e americanos”, disparou Bad Bunny, sob vaias isoladas de apoiadores de Trump na plateia.
Por que o ICE virou alvo agora
As críticas se intensificaram após duas mortes recentes ligadas a operações do órgão em Minneapolis, episódio que elevou em 23% as manifestações pró-imigrantes, conforme levantamento do Atlas da Violência 2024 sobre intervenções estatais.
Desde 2019, o número de detenções administrativas do ICE subiu 40%, atingindo 171 mil pessoas em 2025. Destes, 27% não tinham histórico criminal, aponta relatório da própria agência. Organizações de direitos humanos afirmam que crianças continuam em centros de detenção por períodos acima dos 72 h permitidos pela lei.

Gloria Estefan, ao vencer Melhor Álbum Latino, lembrou que “não se trata de criminosos, mas de famílias inteiras que trabalham e pagam impostos há décadas”. Já Kehlani e Shaboozey convocaram a indústria musical a se unir publicamente, citando que a pressão de artistas pode acelerar projetos de lei atualmente parados no Congresso norte-americano.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
