Renúncia relâmpago sacode Indec a 8 dias do novo índice
Indec (Argentina) – A instituição que calcula a inflação no país perdeu, nesta segunda-feira (2 de fevereiro), seu principal dirigente. O economista Marco Lavagna entregou o cargo faltando apenas oito dias para a divulgação do primeiro indicador com a nova metodologia, medida vista como chave para a credibilidade econômica argentina.
- Em resumo: saída inesperada pode minar confiança no dado de inflação que será publicado em 10 de fevereiro.
Por que a renúncia preocupa analistas
A decisão foi classificada como “extremamente surpreendente” pelos funcionários do órgão. O representante sindical Raúl Llaneza cobrou independência do instituto, reforçando que o país já conviveu com episódios de manipulação estatística. Segundo especialistas, a mudança de comando às vésperas do anúncio tende a aumentar a volatilidade do mercado e a desconfiança dos investidores.
Embora a Argentina venha registrando queda da inflação — de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025 —, a última leitura mostrou avanço de 2,8% em dezembro. Para economistas do Banco Central do Brasil, episódios de instabilidade institucional costumam atrasar o repasse de ganhos de credibilidade à taxa de juros e ao câmbio.
“Consideramos a renúncia, apenas oito dias antes da divulgação do novo índice, extremamente surpreendente”, disse Raúl Llaneza.
O que muda no bolso dos argentinos
O índice que será divulgado em 10 de fevereiro usará como base a pesquisa de renda e gastos das famílias de 2017-2018, incorporando despesas com internet, telefonia móvel e TV a cabo. A cesta anterior, de 2004, ignorava esses serviços, fator que subestimava o peso da moradia e dos utilitários na conta final.

Esse ajuste aproxima o cálculo do padrão sugerido por organismos internacionais e pode trazer variações mais altas nos primeiros meses, alertam consultorias locais. Por outro lado, analistas veem a mudança como passo essencial para recuperar a confiança, sobretudo após anos de controles de preços, desvalorização do peso em 2023 e salários corroídos.
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