Só 29% em zona saudável: pesquisa expõe fadiga no trabalho
São Paulo/SP – Em plena ascensão dos debates sobre saúde mental, um estudo da HP revela que a rotina profissional brasileira entrou em alerta máximo: apenas 29% dos trabalhadores se consideram na “Zona Saudável”, enquanto 34% já admitem desgaste crítico, nove pontos acima do ano anterior.
- Em resumo: crescimento da “Zona Crítica” confirma escalada de pressão e baixo reconhecimento nas empresas.
Pressão diária e falta de retorno
Para 71% dos entrevistados, as cobranças aumentaram sem que as recompensas acompanhassem o ritmo. A sensação de que “lucro fala mais alto” vem de 39% dos participantes, ecoando um cenário em que produtividade virou sinônimo de sobrecarga. Dados do IBGE apontam que o Brasil já ultrapassa 100 milhões de pessoas economicamente ativas, o que intensifica a competição por vagas – e, consequentemente, a tolerância a ambientes tóxicos.
Não por acaso, 68% desejam reduzir as idas ao escritório, sinalizando choque entre cultura presencial e desejo por flexibilidade.
“A pressão aumentou, o reconhecimento não”, sintetiza o relatório ao classificar 34% dos profissionais na “Zona Crítica”.
Tecnologia: alívio ou privilégio?
Ferramentas digitais e inteligência artificial surgem como válvula de escape: 88% enxergam nelas um caminho para equilibrar vida e trabalho, e 90% já utilizam algum tipo de IA no dia a dia. Porém, o acesso é desigual: enquanto 49% dos líderes de TI adotam IA diariamente, apenas 25% dos funcionários de escritório têm o mesmo privilégio. Em 2025, o índice de empresas que oferecem treinamento em IA caiu de 79% para 67%, o que pode ampliar o abismo de produtividade.
Curiosamente, entre os que conseguem usar IA todos os dias, 44% permanecem na “Zona Saudável”, reforçando a tese de que tecnologia bem distribuída reduz o desgaste.

Geração Z redefine prioridades
Entre os mais jovens, 90% aceitariam salário menor em troca de flexibilidade, autonomia e acesso às novas ferramentas. Já 57% buscam renda extra para escapar do modelo tradicional e garantir controle sobre tempo e dinheiro. Especialistas lembram que a Organização Mundial da Saúde reconheceu o burnout como fenômeno ocupacional em 2022, o que deve pressionar empresas a revisar jornadas e políticas de bem-estar.
Essa convivência intergeracional pode ser valiosa: Baby Boomers e Geração X reconhecem que aprendem com os jovens a adotar métodos colaborativos e digitais.
E você? A pressão no trabalho chegou ao seu limite ou ainda é administrável? Para mais análises sobre mercado de trabalho, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / HP
