BRB registra dívidas quitadas e bloqueia crédito de clientes
Brasília (DF) – Relatos de consumidores indicam que o Banco de Brasília (BRB) está informando ao Banco Central débitos já pagos — ou nunca contraídos — por clientes do Will Bank e do Banco Master, derrubando scores de crédito e inviabilizando financiamentos.
- Em resumo: dívidas inexistentes de até R$ 19,6 mil apareceram como ativas no Sistema de Informações de Crédito.
Como a confusão começou
Após comprar carteiras do Master em 2024 e 2025, o BRB passou a receber também contratos originados pelo Will Bank. Com a liquidação extrajudicial dessas instituições, o fluxo de dados parou, mas o BRB manteve os registros e reportou ao Banco Central, responsável pelo SCR.
Advogados apontam que, mesmo sem culpa direta, o BRB deveria validar contratos antes de repassá-los, sob pena de ferir o Art. 42 do Código de Defesa do Consumidor, que proíbe cobranças indevidas.
“Alguns contratos apareceram como inadimplentes no SCR, mesmo já tendo sido pagos no banco de origem”, justificou o BRB em nota.
Impacto imediato no bolso
Segundo o Reclame Aqui, só janeiro registrou mais de 100 queixas sobre o tema, crescimento de 326% em um ano. Um cliente perdeu financiamento imobiliário após o sistema apontar dívida vencida de R$ 10 mil.
A marcação negativa pesa no cálculo de risco das instituições e pode reduzir o score em até 150 pontos, estima a Serasa. Especialistas recomendam exigir, por escrito, cópia do contrato e suspensão da cobrança; se ignorado, o consumidor deve acionar Procon ou Justiça.

Quem responde pela falha?
O professor Gustavo Kloh, da FGV, lembra que o banco comprador assume responsabilidade pelas carteiras: “Informação errada é problema do BRB, que precisa corrigir de imediato”. Já Bruno Balduccini, do Pinheiro Neto Advogados, destaca que a atualização deve ser “imediata” para evitar reservas de capital insuficientes.
Enquanto isso, o Banco Central determinou que o BRB segregue R$ 3 bilhões para cobrir riscos de operação, ampliando a pressão para uma solução rápida.
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Crédito da imagem: Divulgação
