Receita bate recorde: R$5 bi com Taxa das Blusinhas
Brasília – A Receita Federal encerrou 2025 com arrecadação inédita de R$ 5 bilhões sobre compras internacionais, superando o recorde de 2024 mesmo após a queda de 23,4 milhões de encomendas vindas do exterior.
- Em resumo: dobro de receita e menos pacotes após a alíquota de 20% em compras até US$ 50.
Como o 20% engordou os cofres públicos
Desde agosto de 2024, a chamada Taxa das Blusinhas aplica 20% de imposto de importação às compras menores de US$ 50 feitas em plataformas como Shein, Amazon e AliExpress. Dados oficiais revelam que 50 milhões de brasileiros já usam o programa Remessa Conforme, criado para registrar essas operações. O resultado foi uma alta de 74% na arrecadação anual, de acordo com relatório da própria Receita (confira os números).
O avanço ocorreu apesar da redução no volume de pacotes, que caiu de 189,1 milhões para 165,7 milhões. O Fisco atribui o paradoxo ao fim do fracionamento de remessas e à migração de parte dos consumidores para produtos nacionais vendidos on-line.
“Em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, o tempo entre compra e entrega pode ser de apenas três dias”, destaca nota técnica da Receita Federal.
Menos encomendas, mais gastos e pressão política
Mesmo com menos pacotes, os gastos totais em sites estrangeiros cresceram 24%, atingindo R$ 18,6 bilhões em 2025. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) afirma que a cobrança ajudou a criar mais de 1 milhão de vagas formais no setor nos 12 meses seguintes à sua adoção.

No Congresso, porém, avança um projeto de lei para zerar o imposto em compras de até US$ 50. Estudo da LCA Consultoria, encomendado por gigantes do e-commerce, alega que a taxa penaliza consumidores de baixa renda sem impacto mensurável na geração de empregos. Já a indústria nacional sustenta que a medida equilibra a concorrência e reforça não só o caixa federal, mas também o dos estados, que aplicam ICMS de até 20% sobre essas mercadorias.
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Crédito da imagem: Divulgação
