Dólar encosta em R$5,27 após alerta de vagas nos EUA e gastos da Alphabet
São Paulo – O mercado cambial iniciou a quinta-feira em ritmo de cautela: às 9h45, o dólar avançava 0,35%, negociado a R$ 5,2674, enquanto o Ibovespa se preparava para abrir sob a sombra de balanços bancários e indicadores norte-americanos.
- Em resumo: Moeda reage à divulgação adiada do relatório Jolts e à temporada de resultados de Amazon e Bradesco.
Por que o câmbio voltou a subir?
O gatilho imediato vem de Washington: o Jolts, termômetro das vagas em aberto nos Estados Unidos, ficou para hoje por causa da paralisação parcial do governo. O dado é monitorado pelo Federal Reserve e pode reforçar apostas em juros mais altos por mais tempo, receita direta para dólar forte.
Além disso, a Alphabet — controladora do Google — sinalizou um desembolso acima do esperado em infraestrutura de inteligência artificial, notícia que abalou Wall Street na véspera. O temor de margens comprimidas em empresas de tecnologia levou o Nasdaq a cair 1,51%, reforçando a busca por segurança em ativos denominados em dólar, segundo estatísticas do Banco Central.
Dólar acumula alta de 0,04% na semana e recuo de 4,36% no ano, mas analistas veem “zona de estresse” acima de R$ 5,30.
Balanços de bancos podem mudar o humor da B3
No front doméstico, o foco recai sobre o Bradesco, que divulga hoje os números do quarto trimestre. Ontem, o Itaú registrou lucro líquido de R$ 12,32 bilhões, crescimento anual de 13,2%, resultado que ajudou a limitar perdas do Ibovespa.
A repercussão é estratégica: bancos representam cerca de um quarto da composição do índice. Qualquer surpresa negativa, como ocorreu com o Santander (ações caíram mais de 2% após lucro operacional fraco), tende a reforçar a migração de capital para o câmbio, pressionando ainda mais a moeda.

Para completar o quadro, a balança comercial de janeiro deve exibir superávit de US$ 3,8 bilhões. Se confirmado, o fluxo de dólares comerciais pode aliviar a taxa, mas só após o “risco Fed” ser digerido.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
