Céu expõe falta de apoio na gravidez e celebra Grammy 20 anos
São Paulo/SP – A cantora Céu recordou, em entrevista recente, como enfrentou a ausência de suporte durante a primeira gravidez enquanto consolidava a carreira, ao mesmo tempo em que comemora as duas décadas do álbum que a levou a uma indicação ao Grammy.
- Em resumo: Artista denuncia pressão para “resolver” a gestação e relembra a indicação histórica ao prêmio internacional.
Do rótulo incômodo ao palco do Grammy
Parte da cena alternativa que misturou MPB, eletrônico e groove no início dos anos 2000, Céu nunca se sentiu confortável com as gavetas impostas pela indústria. A cantora relata que o rótulo, embora “necessário ao mercado”, reduz a pluralidade de influências que marcaram seu disco de estreia, lançado em 2005 e indicado ao Grammy em 2007. De acordo com a Academia de Gravação, foram pouco mais de 20 artistas brasileiros nomeados na categoria principal desde então, o que torna o feito ainda mais relevante.
Nesse período, a paulista tornou-se referência para a nova geração que mistura beats e tradição, e vê o primeiro trabalho como “atemporal” por abordar feminismo quando o tema ainda era pouco discutido na grande mídia.
“Não sou eu que vou definir em qual gaveta me colocam”, reforçou Céu, ao rechaçar rótulos que limitam a percepção de sua música.
Maternidade como virada de chave na carreira
O momento mais delicado relatado pela artista envolveu pressões recebidas ao anunciar a gravidez: “Escutei ‘vamos resolver esse negócio’, como se filhos fossem um obstáculo definitivo”, disse. Ela credita à maternidade o “brilho” que elevou sua confiança no palco.

Dados da Unesco apontam que mulheres ocupam menos de 30% dos cargos criativos na música mundial, evidenciando o desafio adicional enfrentado por artistas que buscam equilibrar carreira e família. O relato de Céu reforça a urgência de políticas de acolhimento a mães no setor cultural, tema debatido no Projeto de Lei 2964/22, em tramitação na Câmara, que prevê incentivos à parentalidade na indústria criativa.
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Crédito da imagem: Divulgação / g1
