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domingo, março 15, 2026

Eletronuclear pode colapsar em março e virar ‘novo Correios’

Eletronuclear pode colapsar em março e virar ‘novo Correios’

Rio de Janeiro/RJ – Com recursos em caixa apenas até meados de março de 2026, a Eletronuclear admite que pode entrar em colapso financeiro se não houver solução para a paralisação de Angra 3, obra interrompida há cerca de uma década.

  • Em resumo: estatal quer que bancos públicos suspendam R$ 7 bi em dívidas até que o CNPE decida o futuro da usina.

Suspensão de R$ 7 bi: o ponto de inflexão

A companhia pleiteia prorrogar, por mais seis meses, a moratória já concedida em 2024 sobre os débitos do empreendimento. A medida liberaria fôlego de caixa enquanto o Conselho Nacional de Política Energética não se posiciona. Segundo o presidente interino, Alexandre Caporal, o serviço da dívida chega a R$ 800 milhões em 2026, salto que pressiona um orçamento anual já consumido pela manutenção da unidade parada. Dados do IBGE mostram que o setor de eletricidade responde por 3,2% do PIB industrial, reforçando o impacto macroeconômico de uma possível interrupção.

Caporal frisa que, por ora, não há necessidade de aporte do Tesouro, mas alerta: sem decisão, a estatal pode entrar em default com fornecedores e credores.

“Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, afirmou o executivo ao g1.

Angra 3: uma década parada custa caro

As obras da terceira usina nuclear brasileira foram suspensas em 2015 em meio a investigações de corrupção, e desde então o canteiro de obras consome mais de R$ 1 bilhão por ano apenas em manutenção e custos financeiros. A Lei 12.111/2009, que regula a produção nuclear no país, determina que projetos estratégicos recebam garantia de continuidade — exigência que, na prática, permanece sem definição política.

Relatório do Tribunal de Contas da União já alertava que cada ano de atraso encarece o projeto em cerca de 10% por causa da depreciação de equipamentos e atualização cambial de contratos importados. Se o impasse persistir, especialistas temem perda de know-how e risco de desabastecimento futuro na matriz elétrica, hoje 11% dependente de fontes nucleares e térmicas de base.

O que você acha? A suspensão da dívida é a melhor saída ou o país deveria priorizar outra solução para Angra 3? Para mais análises econômicas, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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