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Rio de Janeiro – Em 2026, a gravação pioneira com letra da toada “Tristezas do Jeca” atinge o marco de 100 anos. O registro histórico foi feito em 1926, no estúdio da gravadora Odeon, na então capital federal, pelo cantor e violonista carioca Patrício Teixeira (1893–1972). Lançado em disco de 78 rotações por minuto fabricado pela Casa Edison, o single levou pela primeira vez ao público os versos melancólicos compostos oito anos antes por Angelino de Oliveira (1888–1964).
Natural de Itaporanga (SP) e radicado em Botucatu desde a infância, Angelino apresentou a canção em 1918 em um evento no clube da cidade do interior paulista. A toada já circulava regionalmente quando recebeu, em 1924, um registro instrumental da Orquestra Brasil América, também publicado pela Odeon. Contudo, apenas a gravação de Teixeira, dois anos depois, colocou a letra em disco e iniciou o caminho para que a composição se tornasse um dos símbolos da música sertaneja.
Naquele período, o segmento sertanejo ainda não contava com um mercado estruturado. O processo de comercialização de temas caipiras só ganharia força a partir de 1929, com o escritor e folclorista Cornélio Pires (1884–1958). A repercussão inicial do fonograma de 1926 foi discreta; críticos atribuem a recepção moderada a uma interpretação que não realçou toda a tristeza presente na composição.
A popularidade cresceu na década seguinte. Em 1937, o paulista Paraguassu (1894–1976), acompanhado de Seu Grupo Verde e Amarelo, realizou a primeira gravação que alcançou grande público. Dez anos depois, em 1947, a dupla Tonico & Tinoco registrou a toada com o acordeonista Mário Zan (1920–2006) e o violeiro Miguel Lopes Rodrigues, o Piraci (1917–1974). Esse disco solidificou a presença da obra na memória afetiva rural e urbana.
Ao longo das décadas, o título perdeu o “s” em várias reedições, aparecendo como “Tristeza do Jeca”. Inezita Barroso, Sérgio Reis, Luiz Gonzaga, Ney Matogrosso (no álbum “Pescador de Pérolas”, 1987), Almir Sater (em “Rasta Bonito”, 1989), Pena Branca & Xavantinho, Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó e Maria Bethânia – que dividiu os vocais com Caetano Veloso e Zezé Di Camargo para a trilha do filme “2 Filhos de Francisco” – estão entre os intérpretes que mantiveram viva a toada em diferentes gerações.

Cem anos depois do registro original, “Tristezas do Jeca” continua presente em antologias e repertórios, reafirmando a combinação entre melodia e versos que a transformou em referência obrigatória do universo sertanejo.
Com informações de G1
