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sábado, março 14, 2026

Cotas por empresa tentam frear corrida da carne à China

Cotas por empresa tentam frear corrida da carne à China

Brasília (DF) – O Ministério da Agricultura avalia limitar individualmente o volume de carne bovina que cada frigorífico poderá embarcar para a China, buscando evitar uma corrida às exportações antes que a tarifa extra de 55% comece a valer para volumes que ultrapassem a cota de 1,106 milhão de toneladas prevista para 2026.

  • Em resumo: Governo quer repartir a cota entre empresas para impedir desequilíbrio no mercado interno e pressões de preço.

Por que o governo fala em “frear a corrida”?

A China é hoje o principal destino da proteína bovina brasileira. Em 2025, o país asiático absorveu mais de 1,6 milhão de toneladas do produto nacional, superando em 500 mil toneladas o teto livre de tarifa que valerá no ano seguinte. Para evitar que todos tentem embarcar esse volume reduzido de uma só vez, a Pasta encaminhou proposta ao Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Camex, inspirada no modelo já usado na venda de frango para a União Europeia.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a divisão proporcional da cota, com base no desempenho de 2025, seria “a solução menos traumática” para o setor. Dados da produção industrial do IBGE indicam que cada 10% de aumento nas exportações de carne bovina costuma reduzir a oferta doméstica em 3%, impactando preços no varejo.

“É simplesmente uma organização”, respondeu o secretário Luis Rua, negando qualquer intervenção no livre mercado.

Impacto no consumo interno e nos preços

Com a possível limitação por empresa, o governo tenta blindar o mercado doméstico de volatilidades abruptas. Em 2023, um salto nos embarques fez o preço da arroba do boi gordo subir 17% em apenas quatro meses, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao distribuir previamente a cota chinesa, a expectativa é manter um fluxo constante de oferta e reduzir oscilações que chegam até o consumidor.

Especialistas lembram que outros grandes exportadores, como a Austrália, operam sistemas semelhantes para mercados estratégicos. Caso a tarifa de 55% não seja revista, os frigoríficos brasileiros terão de decidir entre pagar o imposto, buscar novos destinos ou vender mais no mercado interno—hipóteses que também pressionam margens e preços.

O que você acha? Dividir a cota entre empresas é a melhor saída ou o país deveria negociar o fim da tarifa com Pequim? Para mais análises sobre agronegócio e mercado externo, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / G1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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