FBI cita litoral do Ceará em dossiê Epstein; Câmara reage
Brasília/DF – Um relatório tornado público pelo FBI sobre o caso Jeffrey Epstein menciona cidades do litoral cearense como possíveis rotas de aliciamento de jovens. O deputado federal Danilo Forte (União Brasil) levou o tema ao plenário da Câmara e pressiona por uma investigação imediata.
- Em resumo: Documentos dos EUA ligam o Ceará a redes de exploração sexual; deputados articulam CPI para rastrear desaparecidos.
Como o Ceará apareceu no inquérito americano
As novas páginas do processo, divulgadas pelo FBI, apontam que o francês Jean-Luc Brunel – modelo de confiança de Epstein – teria passado por praias cearenses entre 2004 e 2007, recrutando adolescentes com promessas de carreira internacional. O modus operandi descrito ecoa padrões mapeados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que alerta para a vulnerabilidade de comunidades litorâneas a redes transnacionais de tráfico humano.
Segundo Danilo Forte, os indícios reforçam a suspeita de que parte dos 1.278 desaparecimentos registrados oficialmente no Estado apenas em 2023 possa ter ligação com esse esquema.
“Precisamos dar nome e endereço aos responsáveis pelo sumiço de nossas crianças”, cobrou o parlamentar durante o discurso.
Próximos passos: CPI estadual e pressão em Brasília
Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Felipe Mota protocolou pedido para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico Humano. A CPI deverá checar falhas em aeroportos, fronteiras e políticas de proteção à infância, além de rastrear possíveis cúmplices locais.
Em paralelo, Danilo Forte solicitou audiências com o chanceler Mauro Vieira, o ministro da Justiça Wellington César e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, buscando apoio logístico para trocar dados com as autoridades norte-americanas. A meta é localizar vítimas que teriam sido levadas para os Estados Unidos e países da Europa.

Relatórios do Ministério da Justiça mostram que o Brasil registrou mais de 68 mil pessoas desaparecidas em 2022, número que, segundo especialistas, se mantém subnotificado. O Ceará concentra 3% desse total, índice considerado alto para a população local.
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