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sábado, março 14, 2026

Menos de 45: comprar casa hoje depende do ‘banco’ dos pais

Menos de 45: comprar casa hoje depende do ‘banco’ dos pais

Reino Unido – A historiadora Eliza Filby afirma que pessoas com menos de 45 anos têm hoje mais chances de conseguir uma casa graças ao apoio financeiro da família do que exclusivamente pela renda do trabalho, um fenômeno que ela chama de “herançocracia” e que redefine segurança, escolhas profissionais e relacionamentos.

  • Em resumo: o “banco da mamãe e do papai” tornou-se, segundo Filby, uma plataforma decisiva para a vida adulta — mais do que empregadores ou salários.

Entenda a dinâmica

Filby, autora do best-seller Inheritocracy, argumenta que o crescimento econômico do pós‑guerra e a expansão do ensino superior favoreceram os baby boomers, criando hoje um descompasso entre mérito formal e capacidade real de ascensão.

O termo “meritocracia” foi cunhado em 1958 por Michael Young como crítica — e, com o tempo, perdeu a ironia original, transformando-se em expectativa social de que esforço e credenciais garantiriam segurança.

Enquanto isso, o apoio familiar passou a cobrir custos que o mercado e o Estado deixaram de suprir: moradia, creche, estudos e manutenção básica.

“O ‘banco da mamãe e do papai’ se transformou em uma fonte de estabilidade maior do que o próprio trabalho.”

Contexto e impacto

Para Filby, a consequência é profunda: a lealdade à família se sobrepõe à lealdade ao empregador, e o acesso ao patrimônio familiar passa a determinar oportunidades mais do que a trajetória profissional.

Em cenário comparado, questões legais e fiscais moldam como riqueza é transmitida: no Brasil, por exemplo, o imposto sobre herança (ITCMD) é competência estadual, o que influencia a redistribuição de patrimônio e as políticas públicas relacionadas à mobilidade intergeracional — veja informações da Receita Federal.

Filby também chama atenção para efeitos sociais: escolha de parceiros por afinidade econômica, famílias que funcionam como redes de proteção e uma “classe média espremida” que cuida de filhos e pais simultaneamente.

O que você acha? A dependência ao patrimônio familiar ameaça a ideia de mérito ou é apenas adaptação a déficits do Estado e do mercado? Para mais análises sobre finanças e sociedade, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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