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750 mil barris, US$50 mi e tripulação abandonada no mar
China – Um petroleiro carregado com cerca de 750 mil barris de petróleo bruto, avaliado em aproximadamente US$ 50 milhões, permanece fora das águas territoriais da China, com a maior parte da tripulação ainda a bordo e sem receber salários há meses, segundo relatos.
- Em resumo: Tripulantes enfrentam fome e falta de provisões; o caso é parte de um salto global: 410 navios abandonados em 2025, com 6.223 marinheiros afetados.
Entenda a dinâmica por trás dos navios deixados à deriva
O petroleiro em questão — cujo nome não foi divulgado para proteger um tripulante identificado como Ivan — zarpa do Extremo Oriente russo rumo à China no início de novembro e foi dado como abandonado em dezembro, após meses sem pagamento.
A intervenção da International Transport Workers’ Federation (ITF) assegurou alimentos, água e o pagamento de salários até dezembro, mas a embarcação segue em águas internacionais, com restrições de entrada em portos locais.
As diretrizes da Organização Marítima Internacional definem abandono como a situação em que o armador deixa de arcar com repatriação, custos essenciais ou salários por pelo menos dois meses — condição que se multiplicou globalmente nos últimos anos.
“Houve falta de carne, grãos, peixe — coisas simples para a sobrevivência”, disse Ivan sobre a rotina da tripulação.
Contexto e impacto: frotas fantasmas, bandeiras de conveniência e milhões em salários pendentes
Os dados da ITF mostram que, em 2016, 20 navios foram abandonados; em 2025 esse número saltou para 410, afetando 6.223 marinheiros — quase um terço a mais que em 2024.
Em 2025, navios com bandeiras de conveniência responderam por 337 embarcações — 82% do total — e frotas com estruturas de propriedade opacas, às vezes apelidadas de “frotas fantasmas”, ampliaram os riscos às tripulações.

As agências da ONU IMO e OIT estimaram US$ 25,8 milhões em salários atrasados no ano passado; a ITF recuperou e devolveu cerca de US$ 16,5 milhões. No petroleiro ligado ao caso de Ivan, os salários atrasados somavam cerca de US$ 175 mil antes da primeira intervenção.
Estados que passaram a figurar como registros de conveniência também mudaram rapidamente: por exemplo, em 2023 não havia petroleiros registrados na Gâmbia; em março de 2025, 35 estavam registrados no país, segundo levantamentos citados pela ITF.
As nacionalidades mais afetadas em 2025 foram indianos (1.125 marinheiros), filipinos (539) e sírios (309). Especialistas convocam maior cooperação internacional e fiscalização mais rígida das bandeiras para proteger trabalhadores do mar.
O que você acha? É suficiente a pressão internacional para evitar que mais tripulações fiquem presas em embarcações abandonadas? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / AFP
