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Violência contra professores atinge 90% nas escolas brasileiras
Violência contra professores atinge 90% nas escolas brasileiras – Um levantamento divulgado recentemente pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadores (ONVE), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), revela que nove em cada dez docentes já presenciaram ou foram alvo de perseguições e tentativas de censura em instituições públicas e privadas de todo o país.
A pesquisa ouviu 3.012 profissionais da educação básica e superior e mostra que o problema se estende a todas as regiões, etapas de ensino e áreas de conhecimento.
Censura e intimidação se espalham pelas salas de aula
Entre os educadores diretamente afetados, 58% relataram intimidações, 41% sofreram questionamentos agressivos sobre métodos pedagógicos e 35% tiveram conteúdos proibidos. Casos de agressões verbais (25%) e físicas (10%) também foram registrados.
O coordenador do estudo, professor Fernando Penna, destaca que o fenômeno envolve agentes internos e externos à escola, indo de familiares a figuras públicas, configurando “censura institucionalizada”. Dados atualizados do Ministério da Educação reforçam a importância de ambientes seguros para o livre exercício do magistério.
Temas mais atacados envolvem política, gênero e ciência
Questões políticas lideram os motivos de perseguição (73%), seguidas por gênero e sexualidade (53%), religião (48%) e negacionismo científico (41%). A teoria da evolução, por exemplo, ainda provoca pressão de grupos que defendem o criacionismo como alternativa curricular.
Segundo o ONVE, quase metade dos professores vivenciou episódios repetidos de violência, principalmente em anos de maior polarização eleitoral (2010, 2016, 2018 e 2022). O temor constante faz 45% dos entrevistados afirmarem que se sentem vigiados, o que leva muitos a evitarem temas considerados “sensíveis”.
Impactos pessoais e profissionais
Para 33% dos docentes, a perseguição foi extremamente impactante na vida profissional e pessoal; outros 39% classificaram o efeito como “bastante” significativo. O receio resultou em demissões (6%), transferências forçadas (12%) e até abandono da carreira, contribuindo para o chamado “apagão” de professores.

O relatório preliminar sugere a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, já em discussão no MEC, além de reconhecer docentes como defensores de direitos humanos.
No contexto regional, Sudeste e Sul apresentaram mais relatos diretos de censura, com destaque para Santa Catarina. Ainda assim, 93% dos educadores de todas as regiões afirmam ter tido algum contato com episódios dessa natureza.
Para quem deseja acompanhar outras pautas sobre a realidade das salas de aula brasileiras, visite nossa editoria de Educação.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Senado
