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Guerra EUA-Irã pode empurrar petróleo a US$ 100 e causar choque
Teerã, Irã – Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a reação enérgica de Teerã mexeram com o mercado do petróleo, elevando o risco de uma interrupção duradoura nas rotas marítimas e pressionando fortemente os preços da commodity.
- Em resumo: Tráfego quase paralisado no Estreito de Ormuz e alta de até 13% no Brent no primeiro pregão após os ataques.
Entenda a dinâmica do choque
O choque começa no Golfo Pérsico porque o Irã, apesar de responder por cerca de 3 a 4% da produção global, está ao lado do Estreito de Ormuz — rota usada por cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
Dados da EIA mostram que o Irã produz perto de 3,3 milhões de barris por dia e detém reservas significativas, mas a produção tem sido limitada por sanções e investimentos baixos.
“Se o conflito se prolongar e, principalmente, se afetar o abastecimento de petróleo – por causa de interrupções no abastecimento iraniano ou tentativas do Irã de bloquear o Estreito de Ormuz –, isso poderá causar um aumento nos preços do petróleo, talvez para cerca de 100 dólares por barril.”
— William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics
Contexto e impacto sobre a economia
No primeiro dia de negociação após os ataques (02/03), o petróleo Brent chegou a subir até 13%, antes de ceder parte dos ganhos e ficar perto de US$ 77 o barril, enquanto traders passaram a focar no bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz.

Se a hidrovia ficar inacessível, transportadores e comerciantes já sinalizam deslocamentos e cancelamentos, o que pode reduzir os fluxos marítimos em milhões de barris por dia — estimativas da Rystad apontam perda de 8 a 10 milhões de bpd se forem necessárias rotas alternativas.
O impacto na inflação global também é relevante: segundo analistas, um salto no Brent até US$ 100 poderia adicionar cerca de 0,6 a 0,7 pontos percentuais à inflação média global, elevando a pressão sobre bancos centrais para apertar a política monetária.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
