Oscar Internacional: de Gaza sob fogo à rave no Saara
LOS ANGELES/CA – A corrida ao Oscar de Filme Internacional de 2026 transformou os cenários de Recife, Teerã, Gaza, deserto marroquino e Oslo em personagens centrais da narrativa cinematográfica que será definida em 15 de março, na Dolby Theatre.
- Em resumo: Cada indicado usa o próprio território – do Rio Capibaribe às ruínas de Gaza – para intensificar tensões políticas e familiares.
Arquitetura vira suspense nas margens do Capibaribe
Em “O Agente Secreto”, Kleber Mendonça Filho enquadra o Centro do Recife como um labirinto modernista onde a Academia de Hollywood detectou paranoia política à brasileira. Edifício Ofir, Cinema São Luiz e marquises de 1977 reforçam o isolamento do protagonista de Wagner Moura.
Segundo dados do Observatório do Cinema Brasileiro, mais de 60% das produções nacionais filmadas em Pernambuco nos últimos cinco anos optaram por locações históricas para reduzir custos de set.
“Janelas e corredores viram postos de vigilância num tabuleiro urbano”, resume a ficha técnica do longa.
Das ruas vigiadas de Teerã à casa torta de Oslo
Gravado clandestinamente, “Foi Apenas um Acidente” expõe engarrafamentos e fiscalização real do regime iraniano. O diretor Jafar Panahi filmou dentro de dois carros para escapar de possíveis intervenções policiais – estratégia repetida por apenas 4% das obras iranianas inscritas desde 2010, segundo levantamento da Fajr Film Foundation.
Já “Valor Sentimental” se fecha nas paredes de madeira de uma residência de 1890 em Frogner, Oslo. A casa inclinada, ícone do nacionalismo romântico, coloca duas irmãs diante do retorno inesperado do pai e de memórias mal resolvidas.

Guerra, poeira e música eletrônica: Gaza e Marrocos em foco
“A Voz de Hind Rajab” se passa em meio a prédios reduzidos a escombros. O filme recria o drama de uma menina de seis anos presa em um carro sob fogo cruzado, colocando o espectador diante da crueza que, segundo a Unicef, atinge mais de 500 mil crianças na Faixa de Gaza.
No extremo oposto, “Sirāt” atravessa os desertos de Errachidia, Erfoud e Bouarfa. A rave nômade que move o roteiro ecoa o turismo musical de experiência que, de acordo com o Ministério do Turismo de Marrocos, cresceu 18% em 2025. O silêncio árido e os desfiladeiros funcionam como teste físico e psicológico para os personagens.
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Crédito da imagem: Divulgação / Victor Jucá
