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sexta-feira, março 13, 2026

Guerra no Irã corta 20% do petróleo mundial e faz barril saltar

Guerra no Irã corta 20% do petróleo mundial e faz barril saltar

Teerã, Irã – Em apenas uma semana de combates, a ofensiva iraniana paralisou rotas no Estreito de Ormuz, derrubou refinarias regionais e já suspendeu cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás, segundo analistas do JP Morgan. A escalada, transmitida pela Band, pressiona governos e ameaça prolongar a alta nos combustíveis mesmo que o conflito termine amanhã.

  • Em resumo: barril supera US$ 90 após salto de 24% e estoques no Golfo entram em colapso.

Por que 42 km de mar travam o planeta

O Estreito de Ormuz, corredor de apenas 42 km, responde por cerca de 30% das exportações marítimas de petróleo do mundo, de acordo com a Agência de Energia dos EUA. Com navios sob ataque, Arábia Saudita, Emirados, Iraque e Kuwait interromperam o embarque de até 140 milhões de barris. Esse estrangulamento logístico é o principal fator para o rali das cotações, mostram dados do Banco Central.

Nessa rota, o tempo parado custa caro: cada dia sem tráfego retira 1,4 dia de demanda global do mercado. Sem navios, campos iraquianos já reduziram produção e especialistas alertam que Kuwait e Emirados farão o mesmo nas próximas horas.

“O mercado trocou o temor geopolítico pela interrupção operacional concreta”, analisou o JP Morgan em nota na sexta-feira (6).

Choque de energia vira teste eleitoral e inflacionário

Nos Estados Unidos, a gasolina saltou US$ 0,34 em uma semana, beirando US$ 3,32 por galão. A alta preocupa o presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, repetindo o efeito psicológico observado em crises passadas, como a de 1979.

Na Ásia, refinarias da Índia e da China já decretaram força maior. O Japão, segundo maior importador mundial de GNL, viu contratos futuros dispararem mais de 33%. Na Europa, o bloqueio agrava o buraco deixado pelo gás russo desde 2022 e pode obrigar o bloco a comprar 180 cargas extras de GNL antes do próximo inverno.

Além do bolso, o impasse revela vulnerabilidade estrutural: boa parte das reservas estratégicas de petróleo da OCDE cobre apenas 90 dias de consumo. Especialistas lembram que reconstruir refinarias, como a de Ras Tanura, pode levar meses, prolongando o aperto de oferta.

O que você acha? A crise deve acelerar a transição para energias renováveis ou apenas inflar os custos agora? Para mais análises de mercado, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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