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domingo, março 15, 2026

Funk brasileiro vira arma viral na guerra Irã-Israel

Funk brasileiro vira arma viral na guerra Irã-Israel

TEERÃ – Em meio à escalada de narrativas digitais sobre o conflito Irã-Israel, trechos de funk carioca remixados no estilo “brazilian phonk” atravessaram fronteiras e agora embalam vídeos que tanto glorificam quanto atacam Ali Khamenei, Benjamin Netanyahu e o opositor Reza Pahlavi.

  • Em resumo: Batidas brasileiras sustentam propaganda antagônica dos dois lados do Oriente Médio.

Do baile ao front digital: como o “phonk” se espalhou

Nascido nos bailes cariocas e turbinado por graves arrastados, o brazilian phonk viralizou primeiro em jogos on-line russos e, recentemente, ganhou o TikTok no Oriente Médio. Em perfis favoráveis ao regime, o falecido líder Ali Khamenei surge “colocadão”, enquanto páginas monarquistas transformam Pahlavi em astro de videoclipe. Já contas pró-Israel exibem caças F-16 ao ritmo de “ela desce, ela sobe”.

Embora o conteúdo seja de entretenimento, especialistas lembram que a música pode potencializar mensagens bélicas: segundo o Atlas da Violência 2023, conteúdos audiovisuais com forte apelo emocional tendem a aumentar o engajamento em até 70% nas redes.

“Vai ser só colocadão / nas novinhas do xe*ecão”, diz a faixa remixada que exalta Khamenei, num contraste irônico com a rígida moral islâmica.

Autoria perdida e impacto cultural

DJ’s de phonk raramente creditam os MCs originais, o que dificulta rastrear direitos autorais e revela a fluidez cultural da internet. Ao mesmo tempo, o fenômeno recoloca o funk brasileiro — vítima histórica de estigma doméstico — no centro de uma disputa geopolítica de narrativas.

Para pesquisadores de mídia, o uso de letras sexualizadas em contextos políticos indica uma estratégia de choque: a batida agressiva serve como “marcador de poder” em sociedades onde a dança pública feminina é criminalizada. O contraste estimula reações, comentários e, principalmente, compartilhamentos, moeda valiosa no algoritmo do TikTok.

O que você acha? O funk deve ser celebrado como expressão global ou é mera ferramenta de propaganda? Para mais pautas de cultura pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / G1

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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