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Mães solo ganham 40% menos: estudo revela mercado injusto
Brasília/DF – Um levantamento conduzido pela pesquisadora Mariene Ramos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que as quase 11 milhões de mães solo brasileiras recebem em média R$ 2.322, cerca de 40% abaixo do rendimento dos pais casados. O retrato evidencia como a combinação de baixa formalização e sobrecarga de cuidado empurra esse grupo para setores mal pagos e ameaça sua segurança previdenciária.
- Em resumo: Mães solo têm menor renda, menor cobertura previdenciária e respondem por 92% dos lares monoparentais.
Por que o salário é tão baixo?
Dados da Pnad Contínua do IBGE indicam que apenas 28,3% dessas mulheres contribuem para a Previdência, ante 54,8% dos pais casados. A menor escolaridade – 55% não concluíram o ensino médio – explica parte da diferença, mas a discriminação pesada sobre a disponibilidade das mães também pesa.
No mercado, 21,9% delas estão no serviço doméstico, proporção 27 vezes maior que a dos pais com cônjuge (0,8%). Setores como esse pagam salários historicamente menores e dificultam a ascensão profissional.
“As mães solo não sofrem penalidade apenas no rendimento, mas também na precarização do trabalho”, resume Mariene Ramos.
Falta de creche agrava o ciclo
Sem rede de apoio, 57% das responsáveis por casa recorrem a benefícios sociais. A pesquisadora aponta que a oferta limitada de creches integrais trava a qualificação e o emprego. Em 2024, só 41,2% das crianças de até 3 anos tinham vaga, abaixo da meta de 50% fixada pelo Plano Nacional de Educação.
A sobrecarga também vem do cuidado com idosos: 33,5% dessas mulheres vivem com pessoas acima de 60 anos, configurando a chamada “geração sanduíche”. Com menos tempo livre, elas trabalham, em média, 58 horas semanais somando atividades pagas e não remuneradas.

O que pode mudar o jogo?
Especialistas defendem três frentes: ampliar creches em tempo integral, reconhecer o tempo de cuidado no cálculo da aposentadoria e criar programas de qualificação flexíveis. Países que investiram nessas medidas registraram aumento de até 15% na renda das chefes de família, segundo comparativos do Banco Mundial.
O que você acha? A oferta de creches deve ser prioridade nos próximos orçamentos públicos? Para mais análises sobre mercado de trabalho, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BBC News Brasil
