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Carnaval 2027: Tia Ciata vira enredo e expõe dívida histórica
Rio de Janeiro (RJ) – Tia Ciata, matriarca e ativista do samba nascida em 1854, finalmente terá sua trajetória cantada no Sambódromo: a Paraíso do Tuiuti confirmou o enredo “Ciata – A mãe preta do samba” para o Carnaval de 2027, anunciado recentemente, mais de um século após a morte da ialorixá.
- Em resumo: Escolha promete reparar invisibilidade feminina na gênese do samba e acirra disputa por notas máximas na Sapucaí.
Quem foi a Mãe Preta do Samba
Nascida em Santo Amaro da Purificação (BA) e radicada no Rio desde 1876, Hilária Batista de Almeida transformou sua casa na Praça Onze, então chamada Pequena África, em berço cultural. Lá, reunia sambistas, promovia festas e desafiava a lei que criminalizava a “vadiagem” musical, conforme registram dados históricos do IBGE.
Quituteira de mão cheia, filha de Oxum e líder religiosa, Ciata também articulava redes de proteção para negros recém-libertos, impulsionando o carnaval de rua que mais tarde viraria desfile competitivo.
“Os homens passaram para a história oficial como os primeiros bambas”, relata a memória popular, mas Tia Ciata orquestrava o batuque e encorajava novas compositoras.
Por que o resgate chega só agora?
Apesar de sua importância, o samba de enredo levou 95 anos desde o primeiro desfile oficial (1932) para colocá-la no carro abre-alas. A demora evidencia a sub-representação feminina: levantamento da União Brasileira de Compositores mostra que apenas 14% dos autores filiados são mulheres.

A escolha da Tuiuti dialoga ainda com debates contemporâneos sobre visibilidade negra. No último Censo, a capital fluminense registrou 46,8% de população autodeclarada preta ou parda, mas o protagonismo nos desfiles fica, em geral, restrito a alegorias. Dar nome e rosto a esse passado é, portanto, ato político e educativo.
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Crédito da imagem: Divulgação
