Petróleo a US$120 pressiona Selic: Haddad pede calma ao BC
Brasília – A disparada do petróleo para a casa dos US$ 120, seguida de forte oscilação, acendeu o alerta sobre inflação e juros no Brasil. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o governo evite “decisões açodadas”, lembrando que o Banco Central tem autonomia para calibrar a Selic, hoje em 15% ao ano.
- Em resumo: Haddad teme que a volatilidade do petróleo contamine a inflação e atrase o aguardado corte de juros.
Por que a bomba de combustível afeta o seu bolso?
Segundo o Banco Central, cada 10% de alta no barril tem potencial de acrescentar até 0,3 ponto percentual no IPCA ao longo de 12 meses. O impacto corre pelas bombas: combustíveis mais caros elevam fretes, encarecem alimentos e pressionam tarifas de energia.
No cenário internacional, a expectativa de trégua no Oriente Médio derrubou o Brent para US$ 92,68, mas analistas alertam que o conflito ainda pode cortar até 3 milhões de barris/dia da oferta global — quase o dobro do consumo diário brasileiro.
“Você não pode, com base nisso, já tomar decisões estruturais que vão comprometer”, disse Haddad ao lembrar o pânico do antigo “tarifaço”.
Juros: aliviar agora ou esperar o pó baixar?
O Comitê de Política Monetária se reúne na próxima semana. Há um mês o mercado apostava em corte de 0,5 p.p.; hoje, após a disparada do petróleo, a aposta majoritária caiu para 0,25 p.p., mantendo a Selic em 14,75%. Mesmo um ajuste tímido ainda deixaria a taxa real brasileira entre as mais altas do G20.

Historicamente, cada ponto de Selic representa cerca de R$ 37 bilhões extras em despesas com juros da dívida pública, segundo cálculos da Secretaria do Tesouro. Um atraso no ciclo de queda encarece o crédito, freia investimentos e pode reduzir o PIB em até 0,2 p.p. no ano, apontam economistas da FGV.
O que você acha? O BC deve cortar juros mesmo sob risco de novo choque inflacionário? Para acompanhar outras análises de economia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
