Bloqueio em Ormuz dispara preços e aproxima Brasil de novo boom
Brasília – O aperto militar no Estreito de Ormuz, ponto de saída de um terço do petróleo mundial, já faz o índice CRB tocar o maior patamar desde 2011 e reacende a dúvida: o Brasil reviverá o “boom das commodities” enquanto o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se prolonga?
- Em resumo: Petróleo e fertilizantes sobem; exportações brasileiras podem engordar, mas risco de inflação interna cresce.
Por que Ormuz mudou o jogo global
Com navios iranianos barrando a passagem de petroleiros, a oferta de combustíveis e insumos agrícolas encolheu de forma súbita. Segundo a estatística comercial do IBGE, 45% do petróleo bruto embarcado no Brasil vai para a China, parceira que também compra 80% da soja nacional.
Como o Irã é um dos maiores exportadores de ureia, o bloqueio pressiona os fertilizantes usados nos próximos plantios do Hemisfério Norte e, por tabela, toda a cadeia agroalimentar.
“Não vejo um novo boom, mas uma alta relevante nas exportações”, analisa Francisco Américo Cassano, professor da Universidade Santa Cecília.
Ganhos para fora, aperto para dentro
O país pode lucrar de duas formas: preços internacionais maiores e redirecionamento de pedidos de grãos caso produtores do Norte reduzem área plantada. No passado, movimento semelhante inflou o PIB brasileiro entre 2002 e 2011, período que elevou a participação das matérias-primas para perto de metade da cesta de vendas externas.
Contudo, a conta chega ao consumidor. Quando a tonelada de soja sobe lá fora, o farelo que vira ração encarece e o frango no mercado também. E o diesel com impacto do petróleo pressiona fretes, espalhando reajustes.
Projeções de consultorias privadas apontam que cada 10 dólares de aumento no barril podem adicionar até 0,3 ponto percentual à inflação brasileira de 2026.

Investimento estrangeiro e risco-país na vitrine
Longe das bombas, o Brasil aparece como porto seguro para capitais que procuram ativos agrícolas, energéticos e de infraestrutura. O professor Jorge Arbache, da UnB, lembra que “o distanciamento geográfico e político tende a manter o fluxo de investimento direto, mesmo com turbulência”.
A cautela é curto-prazo: fundos soberanos do Golfo, feridos por ataques a refinarias em março, já sinalizam diminuição de apostas externas, podendo afetar projetos sofisticados no Brasil.
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Crédito da imagem: Divulgação / Willam Roth
