Na cadeia, Harvey Weinstein relata golpes e medo de morrer
NOVA YORK, EUA – Em rara entrevista publicada recentemente, o ex-magnata de Hollywood Harvey Weinstein descreveu a penitenciária de Rikers Island como “um inferno” e afirmou temer não sobreviver até o próximo julgamento que pode redefinir sua condenação por agressões sexuais.
- Em resumo: Produtor diz ter sido espancado na fila do telefone e teme morrer atrás das grades aos 74 anos.
A vida em Rikers: violência a cada corredor
Afastado do convívio comum por questões de segurança, Weinstein contou à revista The Hollywood Reporter que só sai da cela escoltado por guardas. O temor, segundo ele, é justificado: “Enquanto esperava o telefone, levei um soco no rosto e sangrei muito”, relatou.
Apesar dos relatos, a administração de Rikers não comentou o caso. Prisões superlotadas e episódios de agressão são apontados de forma recorrente em relatórios sobre o sistema carcerário americano, cenário que também aparece no Atlas da Violência do Ipea, que destaca o aumento de crimes sexuais e a vulnerabilidade de detentos de alta notoriedade.
“É inacreditável ter tido a vida que tive e não receber um tratamento mais indulgente”, queixou-se Weinstein.
Por que o caso ainda balança Hollywood
Weinstein foi um dos primeiros alvos do movimento #MeToo, deflagrado em 2017 após reportagens que reuniram dezenas de denúncias. A condenação original de 23 anos, de 2020, foi anulada, mas um novo júri o considerou culpado de duas agressões sexuais em junho passado. Na Califórnia, ele também cumpre 16 anos por estupro, pena que começa quando a de Nova York terminar.
Especialistas em direito penal lembram que, nos EUA, apenas cerca de 3% dos casos de agressão sexual resultam em condenação efetiva, segundo o Bureau of Justice Statistics. Esse percentual baixo torna o veredicto contra Weinstein simbólico e um precedente para a indústria do entretenimento, onde o desequilíbrio de poder entre executivos e jovens atrizes é historicamente documentado.

No banco dos réus, o produtor sustenta que as relações foram consensuais e atribui parte das queixas a “arrependimento ou busca de compensação financeira”. Ele enfrenta problemas cardíacos e câncer nos ossos, o que potencializa o medo de morrer encarcerado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via AFP
