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quinta-feira, março 12, 2026

Fechamento de Ormuz trava 1/3 dos fertilizantes e ameaça sua comida

Fechamento de Ormuz trava 1/3 dos fertilizantes e ameaça sua comida

Teerã, Irã – O bloqueio virtual do Estreito de Ormuz, palco de ataques após o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã, já extrapola o reajuste da gasolina: o choque logístico compromete fertilizantes, remédios e até chips eletrônicos, delineando um encarecimento global que pode chegar ao seu prato em poucas semanas.

  • Em resumo: Um terço do suprimento mundial de fertilizantes está retido, elevando custos agrícolas no momento crítico de plantio no Hemisfério Norte.

Do campo ao bolso: fertilizante vira ouro

Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos seguem produzindo, mas não conseguem embarcar carga pelo corredor onde trafega 20% do petróleo e gás do planeta. Segundo a Ministério da Agricultura, fertilizantes nitrogenados respondem por metade da produtividade dos alimentos consumidos no globo.

Nos EUA, o preço da ureia no Porto de Nova Orleans saltou de US$ 516 para US$ 683 por tonelada logo na primeira semana de conflito. O choque ocorre exatamente quando 25% das importações americanas de adubo costumam chegar (março–abril), pressionando estoques e o custo final para o consumidor.

“Isso não poderia ter acontecido em pior hora”, lamenta o agricultor Harry Ott, que cultiva algodão, milho e soja na Carolina do Sul.

A China, maior exportadora do setor, já restringe envios até agosto. Com a oferta encurralada, analistas calculam que os preços dos alimentos podem subir em até 15% no trimestre, cenário preocupante para países que dependem de importações.

No Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o IBGE lembra que insumos respondem por 33% do custo de produção da soja. Qualquer alta significativa ameaça diretamente o bolso do consumidor e a competitividade das exportações agrícolas.

Medicamentos e chips entram em alerta

Os mísseis que atingiram Dubai paralisaram o aeroporto mais movimentado do mundo e o Porto de Jebel Ali – rota vital para 400 companhias farmacêuticas. A Índia, líder em genéricos e vacinas, escoa grande parte da produção por esses hubs; cada dia parado representa atraso nas entregas a mais de 200 países, incluindo o Brasil.

A crise respinga também na indústria de tecnologia. Países do Golfo fornecem 24% do enxofre global, essencial para fabricar ácido sulfúrico, que por sua vez é peça-chave na produção de semicondutores. Com mineradoras indonésias de níquel e plantas africanas de cobre relatando cortes, revive-se o fantasma da escassez de chips que marcou a pandemia.

Especialistas alertam que a combinação de petróleo acima de US$ 100, adubos raros e medicamentos mais caros cria um “efeito dominó” que pode acelerar a inflação e agravar a insegurança alimentar em nações vulneráveis.

O que você acha? O mundo deve investir em rotas alternativas ou pressionar por um cessar-fogo imediato? Para acompanhar outras análises sobre conflitos globais, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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