PF prende 5 vereadores por campanha bancada por facção
Morada Nova/CE – Na última quarta-feira, 12 de março, a Operação Traditori sacudiu o Vale do Jaguaribe ao escancarar como uma facção criminosa irrigou com dinheiro do tráfico a corrida eleitoral de 2024 e colocou cinco vereadores no radar da Polícia Federal.
- Em resumo: 16 mandados de prisão – cinco contra parlamentares – e bloqueio de bens para estancar R$ milhões em lavagem de dinheiro.
Como funcionava a engrenagem do dinheiro sujo
As investigações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/CE) indicam que a quadrilha transformava lucros do tráfico em “doações” de campanha por meio de empresas de fachada e laranjas. O esquema, revelado pela Polícia Civil de Morada Nova, evoluiu para uma complexa teia financeira que alcançou dados nacionais de segurança pública e forçou a Justiça Eleitoral a agir.
Com base em decisão da 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza, foram cumpridos 30 mandados de busca na Câmara Municipal, residências e negócios dos investigados em cinco cidades cearenses e em São Paulo. Além das prisões, o sequestro de imóveis, veículos de luxo e contas bancárias tenta cortar o oxigênio financeiro da facção.
“Foram 16 prisões preventivas para impedir a continuidade da contaminação política pelo crime organizado”, detalhou a FICCO/CE.
Quanto custa a infiltração do crime na política?
Relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que organizações criminosas já movimentam mais de R$ 30 bilhões por ano no país, parte deles redirecionados para influenciar decisões em câmaras municipais. Esse cenário agrava a percepção de insegurança e mina a confiança no voto.

No Ceará, não é a primeira vez que facções tentam ganhar voz no Legislativo: desde 2022, o Ministério Público contabiliza ao menos 11 investigações semelhantes. Especialistas alertam que a compra de mandatos distorce prioridades orçamentárias, favorece contratos suspeitos e dificulta políticas de prevenção à violência.
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