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sexta-feira, março 13, 2026

‘Sonhos de Trem’ pode dar 1º Oscar a brasileiro; vale assistir?

‘Sonhos de Trem’ pode dar 1º Oscar a brasileiro; vale assistir?

LOS ANGELES – Disponível na Netflix desde 21 de novembro, o drama “Sonhos de Trem” chega à temporada de premiações com quatro indicações ao Oscar 2026 e a promessa de tornar o brasileiro Adolpho Veloso o primeiro vencedor do país na categoria de Melhor Fotografia.

  • Em resumo: Visual arrebatador domina a produção, mas crítica aponta roteiro convencional.

Visual hipnotizante na mira da Academia

Logo na cena de abertura, a fotografia de Veloso exibe enquadramentos dignos de pôster que justificam a comparação com o estilo contemplativo de Terrence Malick. A força dessas imagens é tamanha que a Academia de Hollywood reconheceu o trabalho com uma indicação inédita para um brasileiro em Melhor Fotografia.

Desde que a categoria foi criada em 1929, nenhum profissional nascido no Brasil levou a estatueta – o mais perto disso ocorreu em 2020, quando Rodrigo Prieto foi indicado por “O Irlandês”, mas perdeu para “1917”. Caso Veloso vença, quebrará um jejum de 97 anos.

“Quando o espectador acha que certa cena é a mais bela do filme, Veloso surpreende e cria uma ainda mais bonita mais adiante na trama.”

Ritmo lento e roteiro sem grandes riscos

Ambientado no início do século 20, o longa acompanha o lenhador Robert Granier (Joel Edgerton) enquanto ele tenta equilibrar trabalho, família e traumas pessoais. A narrativa ganha ritmo cadenciado para discutir a relação homem–natureza, mas a crítica destaca que o texto de Clint Bentley e Greg Kwedar não escapa do convencional.

Mesmo assim, a produção fisga quem aprecia dramas reflexivos: além da fotografia, concorre a Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Canção Original. Segundo levantamento da AMPAS, apenas 32% dos indicados ao principal prêmio também disputam Fotografia, o que reforça a força técnica de “Sonhos de Trem”.

Elenco experiente equilibra as falhas

Edgerton domina a tela como o introspectivo Granier, enquanto Felicity Jones cumpre função mais discreta. William H. Macy, em poucas cenas, rouba a atenção ao questionar o desmatamento predatório, tema que ganha atualidade diante do aumento de 22% no corte ilegal de madeira nos EUA em 2025, de acordo com relatório da World Resources Institute.

O que você acha? A beleza visual consegue compensar um roteiro previsível? Para acompanhar mais pautas de cultura pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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