Paulista precisa de 115h de trabalho só para comer
BRASÍLIA – Um estudo da Conab em parceria com o Dieese escancarou quanto do seu tempo vai direto para o prato: em fevereiro, moradores de São Paulo tiveram de trabalhar 115 h 45 min apenas para arcar com a cesta básica, recorde entre as 27 capitais.
- Em resumo: salário mínimo chegou a ter 56,88% comprometido com comida na capital paulista.
Horas entregues por capital: do topo ao fundo do ranking
Logo atrás de São Paulo aparecem Rio de Janeiro (112h14) e Florianópolis (108h14). Na outra ponta, Aracaju exige 76h23, diferença de quase 40 horas mensais. Segundo o IBGE, o brasileiro médio trabalha 176 horas por mês; em SP, mais de 65% desse total vai só para a alimentação.
Em números percentuais, o peso no bolso também assusta: 46,13% do salário mínimo líquido foi a média nacional. Em solo paulista, a fatia sobe para 56,88% e, em Aracaju, recua a 37,54%.
“Em fevereiro, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer, em média, 46,13% do rendimento líquido para comprar a cesta básica nas 27 capitais pesquisadas.”
Por que a conta ficou tão salgada?
Analistas atribuem o cenário a três fatores: inflação de alimentos de 3,7% no primeiro bimestre, aumento do custo de logística e tensões geopolíticas que pressionam grãos — a guerra no Oriente Médio, por exemplo, já encarece fretes marítimos e fertilizantes.
Se o salário mínimo cobrisse todas as necessidades de uma família de quatro pessoas, ele deveria ser de R$ 7.164,94, calculou o Dieese. O valor é cerca de quatro vezes maior que o piso atual de R$ 1.621. Enquanto o Congresso discute a política permanente de valorização do mínimo, especialistas defendem ampliar programas como o Vale Gás para aliviar a disparada dos itens básicos.
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Crédito da imagem: Reprodução / Arte g1
