Petróleo a US$100 acende alerta de inflação e sacode dólar
São Paulo – Às 8h51 (horário de Brasília), o dólar começou a quarta-feira (18) em clima de tensão: investidores aguardam a “Superquarta” de juros no Brasil e nos EUA enquanto o conflito no Oriente Médio mantém o petróleo acima de US$ 100, sinalizando pressão sobre a inflação global.
- Em resumo: Brent a US$ 104,16 e ameaça inflacionária elevam a volatilidade cambial antes das decisões de Selic e Fed.
Guerra no Estreito faz barril saltar
Com o estreito de Ormuz ainda bloqueado, EUA e Irã trocam ataques e os preços do Brent avançam 0,72%, a US$ 104,16, enquanto o WTI sobe 1,15%, a US$ 94,43. Israel afirma ter eliminado Ali Larijani, peça-chave do Conselho Supremo de Segurança iraniano, o que eleva o risco geopolítico.
O salto do petróleo ocorre num momento em que a Petrobras já reajustou o diesel e caminhoneiros ameaçam paralisação. Cada alta de US$ 10 no barril pode acrescentar até 0,2 ponto percentual ao IPCA, segundo estimativas de analistas.
“Sem perspectiva clara de trégua, a trajetória do câmbio dependerá da duração do conflito e do apetite por risco”, avalia uma mesa de operações em São Paulo.
Selic e Fed: por que 0,25 p.p. importa
No Brasil, a maioria do mercado projeta corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 14,75% ao ano — a primeira redução desde maio de 2024. Nos EUA, a expectativa é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve. A combinação é decisiva: juros menores aqui e estáveis lá fora podem reduzir o diferencial de rendimento e pressionar o real.
Dados do Banco Central mostram que, a cada 1 ponto de queda na Selic, o fluxo de capitais de curto prazo recua em média 4%, ampliando a sensibilidade do câmbio a choques externos.

Até agora, o dólar acumula -2,17% na semana, +1,27% no mês e -5,28% no ano, enquanto o Ibovespa sobe 1,55% na semana, mas cede 4,44% no mês.
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