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quarta-feira, março 18, 2026

Abate recorde de 42,9 mi de bois expõe virada no preço da carne

Abate recorde de 42,9 mi de bois expõe virada no preço da carne

BRA Brasília – O Brasil encerrou 2025 com 42,94 milhões de bovinos abatidos, o maior volume já registrado pelo IBGE e o segundo recorde anual seguido, fato divulgado em transmissão da Record. O salto de 8,2% frente a 2024 não só reforça a fase de alta oferta no ciclo pecuário, como também ajuda a explicar por que o preço da carne não disparou nas gôndolas.

  • Em resumo: Abate cresceu em 26 estados e fêmeas puxaram a alta, com +18,2%.

Por que o rebanho virou alvo: números que surpreendem

De acordo com dados oficiais do IBGE, a escalada começou em 2022 e ganhou força em 2025, quando 3,25 milhões de cabeças extras chegaram aos frigoríficos.

Especialistas apontam que a maior presença de vacas no gancho – 4º ano seguido de alta – sinaliza mudança na gestão dos rebanhos: produtores antecipam o descarte para liberar caixa diante de custos mais elevados e câmbio favorável às exportações.

“Só São Paulo adicionou 629 mil animais ao abate em 12 meses, número inédito para o estado”, mostra o levantamento trimestral do IBGE.

Impacto no prato e na balança comercial

Com mais oferta interna, o consumidor sentiu alívio: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou variação de apenas 1,8% na carne bovina em 2025, bem abaixo da inflação geral de 4,6%.

No mercado externo, a tendência é de aceleração. Em 2024, o país já exportou 2,8 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. Mantido o ritmo de abate, consultorias como a Safras & Mercado projetam novo pico de embarques, reforçando a liderança brasileira no ranking mundial da FAO.

O avanço não é homogêneo: Mato Grosso segue no topo (17,1% do total), mas Pará (+472,7 mil) e Rondônia (+364,4 mil) ganharam terreno, refletindo a expansão da fronteira pecuária na Amazônia Legal, tema que acende debates sobre sustentabilidade e rastreabilidade.

Para 2026, a Conab alerta que a curva pode se inverter se o abate de fêmeas continuar elevado, reduzindo o rebanho reprodutivo e, no médio prazo, elevando novamente o preço da arroba.

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Crédito da imagem: Divulgação / Gustavo Wanderley

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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