Petróleo a US$120 pressiona, mas Fed congela juros em 3,75%
WASHINGTON (EUA) – Em meio à escalada do petróleo após a nova frente de guerra no Oriente Médio, o Federal Reserve decidiu, nesta quarta-feira (18), manter a taxa básica dos Estados Unidos entre 3,50% e 3,75% ao ano, menor patamar desde setembro de 2022.
- Em resumo: Mesmo com o barril acima de US$120, o Fed segurou os juros para conter a volatilidade e monitorar a inflação.
Por que o Fed bateu o pé?
O Comitê Federal de Mercado Aberto reconheceu que a economia americana cresce “em ritmo sólido”, mas destacou incertezas geradas pelo conflito que envolve EUA, Israel e Irã. Segundo a nota oficial, a autoridade monetária “seguirá preparada para agir” caso o choque do petróleo ameace a convergência da inflação à meta de 2%.
Dados do Banco Central do Brasil mostram que choques de energia representam até 30% das pressões inflacionárias globais em períodos de conflito, reforçando o temor do mercado.
“A incerteza sobre a perspectiva econômica continua elevada”, alertou o Fomc, reiterando o compromisso de apoiar o emprego e reconduzir a inflação ao alvo oficial.
Pressão política de Trump e reflexo no seu bolso
Esta foi a décima decisão de juros desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025. O presidente insiste em cortes imediatos — o que aumentaria sua popularidade às vésperas das eleições de meio de mandato —, mas enfrenta resistência do presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
A manutenção dos juros altos mantém os rendimentos das Treasuries atrativos, fortalecendo o dólar e encarecendo produtos importados no Brasil. Analistas já estimam que cada alta de R$0,10 na cotação da moeda americana adiciona 0,05 ponto percentual ao IPCA, pressionando o Banco Central brasileiro a segurar a Selic.

E agora, o que esperar?
Com o bloqueio do Estreito de Ormuz restringindo 20% do fluxo mundial de petróleo, a commodity segue perto de três dígitos. Se o preço se mantiver elevado, economistas não descartam que o Fed eleve os juros novamente, quebrando a pausa iniciada em janeiro. O próximo encontro do colegiado está marcado para junho — possivelmente já sob a presidência de Kevin Warsh, indicado de Trump e defensor de flexibilização monetária.
Qual a sua aposta: o Fed consegue driblar a pressão política sem mexer na taxa ou um novo aumento é inevitável? Para acompanhar mais análises sobre economia global, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
