Série da Netflix sobre césio-137 expõe racha e pensão de 70%
Goiânia/GO – Trinta e sete anos após o maior acidente radiológico fora de usina nuclear, a estreia de “Emergência Radioativa” reacende feridas entre os 603 sobreviventes e coincide com a proposta de reajuste de 70% na pensão vitalícia paga pelo governo de Goiás.
- Em resumo: Vítimas criticam a fidelidade da série, enquanto projeto de lei eleva benefício mensal para até R$ 3.242.
Bastidores: por que a produção gerou tanta tensão
Gravada em Santo André e Osasco, a obra dramatiza o vazamento do césio-137 ocorrido em 1987, mas troca as ruas da capital goiana por cenários paulistas, o que irritou o Conselho Municipal de Cultura local. Mesmo antes da estreia, trechos divulgados pelo WhatsApp levaram parte dos atingidos a chamarem o roteiro de “mentiroso”. Para Sueli de Moraes, vice-presidente da Associação de Vítimas, “chateou muita gente do grupo”.
Os produtores dizem ter contado com consultoria da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do IPEN para garantir precisão técnica, mas admitiram condensar personagens para facilitar a narrativa.
“As feridas estão abertas, porque as vítimas ainda sofrem as consequências”, ressalta o ator Johnny Massaro.
Dinheiro em jogo: pensão parada desde 2018 pode subir
Enquanto a polêmica cultural ecoa, o governador Ronaldo Caiado (PSD) enviou à Assembleia projeto que eleva a pensão dos mais contaminados de R$ 1.908 para R$ 3.242. Os demais passariam de R$ 954 para R$ 1.621. Segundo o Atlas da Violência, benefícios desse tipo costumam perder até 30% do poder de compra em quatro anos sem correção.

A votação deve ocorrer ainda neste semestre e, se aprovada, a despesa adicional será financiada pelo fundo estadual de saúde pública. Produzida pelos irmãos Gullane, a série estreia hoje na Netflix, com transmissões previstas também pela Band e chegada ao catálogo da HBO Max, ampliando a pressão popular por justiça financeira.
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