Ataques elevam Brent a US$115 e acendem alerta de escassez
Londres – O preço do barril do Brent saltou para US$ 115,10 em 19 de março de 2026, maior cotação desde 9 de março, depois que o Irã lançou uma série de mísseis contra instalações de petróleo e gás na Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Kuwait, em retaliação ao ataque israelense ao campo de South Pars.
- Em resumo: Mercado reage a risco de interrupção prolongada no fornecimento global de petróleo.
Por que o Brent disparou tão rápido?
A onda de bombardeios destruiu parte da infraestrutura de refino em Ras Laffan, Yanbu e Mina al-Ahmadi, cortando temporariamente cerca de 2 milhões de barris/dia da oferta, segundo estimativas preliminares da Agência Internacional de Energia. O recuo súbito de disponibilidade pressiona ainda mais um mercado já apertado por cortes da Opep e pela guerra na Ucrânia.
Além disso, os Estados Unidos mantiveram os juros inalterados, mas revisaram para cima a projeção de inflação. Analistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central alertam que cada alta de US$ 10 no barril pode adicionar até 0,4 ponto percentual ao IPCA brasileiro.
“A escalada no Oriente Médio e a morte de líderes iranianos indicam uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo”, afirmou Priyanka Sachdeva, da Phillip Nova.
Reflexos imediatos no bolso do consumidor
A Petrobras adota política de paridade internacional; portanto, se a cotação permanecer acima de US$ 110 por alguns dias, o diesel e a gasolina vendidos no Brasil podem ficar até 8% mais caros já na próxima semana, segundo a consultoria Stone X.

Em 2008, quando o barril tocou US$ 147, o litro da gasolina subiu 22% em três meses. Caso o conflito se agrave, bancos de investimento veem chance de o Brent retestar aquele recorde, cenário que pressionaria fretes, alimentos e energia elétrica em todo o mundo.
O que você acha? O governo deve intervir nos preços dos combustíveis diante da nova escalada? Para mais análises de economia e energia, acesse nossa editoria de Finanças.
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