Irã ameaça cobrar pedágio no Estreito que move 20% do petróleo
TEERÃ, Irã – Parlamentares iranianos analisam um projeto que cria taxas obrigatórias para navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito exportados no planeta. A iniciativa, revelada recentemente pela agência ISNA, pode transformar o controle geográfico da passagem em nova fonte de receita e em arma diplomática contra países que sancionam Teerã.
- Em resumo: Pedágio proposto mira receitas e amplia pressão sobre nações que impõem sanções ao Irã.
Por que a cobrança preocupa o mercado de energia?
Com apenas 40 km de largura no ponto mais estreito, Ormuz é classificado pela Agência Internacional de Energia como o gargalo marítimo mais sensível do mundo: cerca de 17 milhões de barris de petróleo passam ali todos os dias.
Especialistas lembram que qualquer tarifa extra pode ser repassada ao frete, pressionando preços globais de combustíveis e de alimentos transportados por navios cargueiros.
“Ao usar a posição estratégica do Estreito de Ormuz, podemos sancionar o Ocidente e impedir que seus navios passem por essa via”, declarou o vice-presidente Mohammad Mokhber, citado pela agência Mehr.
Entenda o que pode mudar nas rotas marítimas
Se aprovado, o “novo regime” permitiria ao governo iraniano banir embarcações de países que mantêm sanções, além de cobrar pedágios variáveis conforme a carga (petróleo, LNG ou contêineres). O plano também prevê tarifas diferenciadas para “nações amigas”, segundo integrantes do Parlamento.

Analistas de segurança lembram que, desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, Teerã já reteve navios de bandeira estrangeira, sinalizando capacidade de interromper fluxos comerciais na região. Dados da Lloyd’s List indicam que o bloqueio completo de Ormuz poderia travar 30% do comércio mundial de gás natural liquefeito.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP
