Diesel dispara 25% e ameaça inflação; litro encosta em R$ 7,22
São Paulo/SP – Um levantamento da TruckPag captou uma escalada de 25% no preço médio do diesel em todo o Brasil, que atingiu R$ 7,22 por litro na última quarta-feira (19), pressionando de imediato o setor de transporte e, em efeito cascata, a mesa do consumidor.
- Em resumo: salto de R$ 1,48 desde 28/02 coloca frete e alimentos na rota da alta.
Por que a bomba explodiu tão rápido?
Segundo a consultoria, mais de 143 mil transações em 4.664 postos revelam aumentos diários próximos de 1%. O gatilho veio do conflito no Oriente Médio, que encareceu o barril internacional e afeta diretamente o Brasil, onde cerca de 30% do diesel é importado.
Dados da inflação oficial do IBGE mostram que combustíveis pesam quase 9% no IPCA; cada variação abrupta costuma aparecer nas estatísticas em até quatro semanas, segundo analistas.
“Na prática, nossos dados mostram que o preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro”, afirma Kassio Seefeld, CEO da TruckPag.
Estados sentem primeiro impacto — e ele varia
No recorte regional, Tocantins lidera com alta de 37,1%, seguido por Santa Catarina (29,9%) e Goiás (29,2%). O avanço passa dos 27% também em São Paulo, principal polo logístico do país, sinalizando repasse acelerado para supermercados e indústrias.
Historicamente, cada 10% de aumento no diesel pode adicionar até 0,3 ponto percentual à inflação de alimentos, de acordo com estudos da Fundação Getulio Vargas. Isso porque 60% da carga agrícola depende de caminhões movidos pelo combustível.

Alívio fiscal ainda não chegou à bomba
O governo federal anunciou corte de tributos e subsídio de R$ 0,32 por litro, mas a medida esbarra na cotação internacional. Para que o preço volte ao patamar de fevereiro, o Brent teria de recuar abaixo de US$ 70, cenário improvável enquanto persistir o bloqueio no Estreito de Ormuz, corredor responsável por 20% do comércio global de petróleo.
Empresas de transporte já negociam reajuste emergencial de frete; algumas cooperativas relatam que rotas longas ficaram até 18% mais caras em duas semanas. Especialistas alertam que, se o conflito se estender, o pico de 2018 — quando o diesel superou R$ 8 em valores corrigidos — pode ser reeditado.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP
