Após devolver 20 navios, China afrouxa regra da soja BR
Brasília – Após semanas de incerteza que bloquearam carregamentos avaliados em bilhões de dólares, a China concordou em flexibilizar a exigência de “tolerância zero” a sementes de plantas daninhas na soja brasileira, liberando a certificação de novos navios.
- Em resumo: 20 embarcações retidas devem ser validadas e o fluxo de 80% das exportações de soja volta a ganhar ritmo.
Por que a tolerância zero virou inviável
Em reunião técnica, o Ministério da Agricultura mostrou a Pequim que, pelas condições de campo do Cerrado, é impossível garantir ausência absoluta de sementes invasoras. O argumento convenceu o Ministério da Agricultura e Assuntos Aduaneiros da China, que aceitou uma análise de risco em vez da proibição total.
A mudança evita prejuízo estimado em US$ 1,4 bilhão — valor que circula em cada 20 navios de grãos — e reduz a chance de multas contratuais às tradings.
“Não será adotado o critério de tolerância zero”, registrou a Secretaria de Defesa Agropecuária no documento interno que orienta certificados fitossanitários.
Quanto isso mexe no bolso do produtor brasileiro
Segundo a consultoria Hedgepoint, as 1,3 milhão de toneladas barradas representam apenas 1% dos 112 milhões previstos para 2026, mas o episódio acendeu alerta: cada dia de navio parado custa até US$ 40 mil em demurrage.

Especialistas lembram que o susto pode acelerar a criação de um protocolo sanitário bilateral, semelhante ao adotado no milho em 2023, e estimular mais investimentos em beneficiadoras que separam impurezas antes do embarque.
O que você acha? A flexibilização traz segurança ou apenas posterga um novo impasse? Para acompanhar outras negociações internacionais, visite nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação
