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domingo, março 22, 2026

Americanos faturam até R$ 3,1 mil mensais vendendo plasma

Americanos faturam até R$ 3,1 mil mensais vendendo plasma

Nova York/EUA – Na última semana, uma reportagem do New York Times expôs como a coleta remunerada de plasma sanguíneo virou alternativa de renda para milhares de norte-americanos, em plena escalada do custo de vida. Com até duas sessões por semana, cada participante pode ganhar US$ 600 (cerca de R$ 3,1 mil) por mês — valor capaz de pagar o supermercado inteiro de uma família média.

  • Em resumo: 215 mil pessoas entram nessas clínicas todos os dias, movimentando US$ 6,2 bi em exportações em 2024.

Demanda médica bilionária, bolso apertado

O plasma — parte líquida, amarelada, do sangue — é insumo vital para terapias de imunodeficiências, distúrbios de coagulação e doenças hepáticas. Como os Estados Unidos autorizam o pagamento aos doadores, prática desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde, o país concentra cerca de 70% de todo o volume coletado globalmente.

Ao mesmo tempo, o salário médio norte-americano cresce menos que despesas essenciais. Segundo dados oficiais de inflação, combustíveis e alimentos pressionam a renda das famílias também no Brasil, mas lá a possibilidade de “monetizar” o próprio sangue criou um mercado paralelo de segurança financeira.

“Isso pode ser dinheiro para gasolina, supermercado ou para guardar para emergências”, relatou Joseph Briseño, 59, que doa duas vezes por semana.

Dos bairros pobres aos subúrbios de classe média

Pesquisadores da Washington University e da Universidade do Colorado mapearam mais de 100 novos centros de coleta abertos desde 2021 em regiões antes associadas a academias e escritórios corporativos. A mudança reflete o novo perfil do doador: profissionais de tecnologia, professores e enfermeiros que veem a prática como “segundo trabalho”.

Embora considerada segura pelas empresas, há poucos estudos sobre efeitos de longo prazo. O estigma também persiste: parte dos doadores prefere o anonimato, temendo julgamentos sociais. Curiosamente, um estudo citado pelo NYT mostra queda de quase 20% na busca por empréstimos de curto prazo onde esses centros se instalam, sinalizando que o plasma vira amortecedor contra dívidas caras.

E no Brasil, por que não?

Aqui, a Lei nº 10.205/2001 proíbe qualquer remuneração por sangue ou plasma. A doação voluntária é vista como estratégia para garantir segurança transfusional e evitar exploração econômica. Países europeus seguem linha semelhante, obrigando a indústria farmacêutica a importar da produção norte-americana — o que explica o faturamento de US$ 6,2 bilhões em 2024 citado pelo jornal.

E você? Aceitaria trocar tempo e sangue por um “salário” extra? Para acompanhar outros assuntos do cenário internacional, visite nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Freepik

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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